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28052020 - EASTWOOD BUSCA VINGANÇA E COMETE MESMO ERRO QUE VITIMOU JEWELL:

Tenho profundo respeito pelo cinema de Clint Eastwood. Acho-o um dos grandes diretores da história de quem poderíamos reunir pelo menos dez filmes incríveis e brilhantes. Mas o Clint que emerge em “O caso Richard Jewell” (“Richard Jewell”, no original) está muito longe de ser o gigante de “Os imperdoáveis” (1992), “Menina de Ouro” (2004) ou “Gran Torino” (2008). O Clint que filma o roteiro de Billy Ray é o que parece buscar uma vingança numa história que, na verdade, foi cheia de erros, com muitos culpados e alguns inocentes.
Para falar de “O caso Richard Jewell” é preciso contar a história do seu protagonista, vivido de forma bastante convincente pelo ator Paul Walter Hauser. Jewell era um segurança com um passado problemático, mas extremamente dedicado e fiel aos preceitos da lei e profundamente respeitador das forças de segurança americanas. Empregado nos Jogos Olimpicos de Atlanta-96, ele virou um herói da noite para o dia ao descobrir uma bomba durante um show do evento. Sua ação salvou a vida de centenas de pessoas.
Como o filme mostra, Jewell, porém, foi alvo de uma investigação que é praxe em qualquer atentado terrorista deste tipo. É aí que começa o pesadelo dele e de sua mãe, Bobi (Kathy Bates). E que começam os erros cometidos pela imprensa.
É inegável que a vida de Jewell foi virada de cabeça para baixo por causa de uma reportagem irresponsável que carregava nas tintas e o acusava de ser um terrorista sem qualquer prova concreta e apenas baseada num passado interpretado de forma simplória pela imprensa é público em geral. Mas se a reportagem do jornal “Atlanta Connection” foi equivocada, Eastwood usa do mesmo artifício em seu filme para escolher a jornalista Kathy Scruggs (Olívia Wilde) como a vilã de tudo. Não há sequer margem para uma interpretação mais acurada dos fatos ou para a exibição de um outro lado. Scruggs é pintada como uma mulher agressiva que faz de tudo por suas histórias. Inclusive transar com uma fonte para conseguir uma boa história.
Sem que a jornalista pudesse se defender, o filme a joga na parede da mesma forma que Jewell fora jogado há 24 anos. É quando o filme deixa de ser cinema para se colocar mais como uma peça de vingança. E isso não parece ser necessário nem mesmo sequer sob o ponto de vista de licença de dramaturgia.
Não é difícil encontrar perfis sobre Scruggs na internet. Ainda mais depois que o filme veio à tona. Neles encontramos relatos de uma jornalista extremamente competitiva, difícil de lidar, mas competente pela sua busca por furos e com um enorme grupo de fontes dentro da polícia e de diversos órgãos de segurança. Algumas reportagens e ex-colegas a relatam como uma “groupie” de policiais, mas não num sentido negativo que este termo costuma carregar, e sim por ser uma seguidora de perto do trabalho da polícia. Se o seu perfil dividia opiniões, principalmente por sua personalidade forte que resvalava na arrogância, todos são unânimes em afirmar que Scruggs jamais transou com qualquer fonte para conseguir uma informação. Tinha sim relações com policiais como qualquer um poderia ter quando se convive com um determinado grupo, mas nunca para conseguir vantagens no trabalho.
Eastwood, pegou estas informações e carregou nas tintas para dar a ela um perfil simplório de “jornalista que se deita com fonte”, quando na vida real ela era muito mais complexa. É claro que ela e o jornal erraram grosseiramente, mas a vida não é feita de heróis e vilões de forma maniqueísta como o filme pinta.

Jewell, porém, teve a sua redenção. Scruggs, que faleceu em setembro de 2011 de overdose, não teve essa chance. Viveu os cinco anos seguintes à sua reportagem assombrada pelo que escrevera e com dificuldades financeiras pelos processos que enfrentou até que encontrou um fim miserável aos 42 anos. Seu destino, inclusive, sequer é mencionado no desfecho do filme. Ao contrário dos de Jewell e sua mãe.
Isso afeta a experiência do filme? Depende do ponto de vista de cada um. O filme tem seus méritos e talvez seja o melhor desta recente fase de Eastwood de contar a vida do típico homem comum que se torna um herói americano. É superior a “Sully: o herói do Rio Hudson” (2016), e muito melhor do que o fraco “15h17: Trem para Paris” (2018).
A interpretação de Hauser também não deixa de ser cativante pela sua entrega ao papel quase mimetizando o verdadeiro Jewell. Assim como Sam Rockwell também dá um brilho especial como o advogado do personagem principal. Kathy Bates e Olivia Wilde também estão bem nos seus papéis, o que faz com que o filme seja muito mais interessante pelo trabalho destes quatro atores do que pela história em si.
Mas Eastwood podia ter feito um filme melhor e não mais um filme. “O caso Richard Jewell” tem suas falhas, tem imprecisões históricas e enfraquece seu roteiro pela própria postura do diretor. Por outro lado, é bom acompanhá-lo e refletir como uma obra ou reportagem pode destruir a vida de alguém e pensar na responsabilidade que se tem na mão quando se divulga algo com tamanhas imprecisões. Isso vale para o que Jewell sofreu, mas também para Scruggs. No fim, o filme mostra-se mais interessante pela lição que Eastwood não queria passar, mas seu erro é a mostra de como ainda é necessário evoluir.

21052020 - SOMOS QUE SOMOS:

Tem gente que acredita que já não se faz mais suspense ou terror como antigamente, devido ao excesso de produções focadas - muito mais - em mortes e sanguinolência, do que em algo envolvente. Somos o que Somos é um drama (acredite) travestido de filmes do gênero acima e tem potencial de sobra para animar (e assustar) os que compartilham do tal pensamento, ansiosos por algo novo, ou velho, no melhor dos sentidos. E a hora de descobrir o porquê dessa afirmativa cai, justamente, em uma sexta-feira, 13. Sugestivo?

Somos o Que Somos - FotoEm uma cidade do interior, Frank Parker (Bill Sage) é um homem que insiste em manter as tradições familiares e religiosas, ainda mais agora que acabou de ficar viúvo. Para isso, ele precisará contar com seus filhos, em especial a mais velha, que dará continuidade aos rituais há anos praticados pelos antepassados. O único problema é que após o desaparecimento de uma pessoa na região, as fortes chuvas que castigam o local ameaçam revelar importantes segredos dos Parker, começando por uma estranha conexão entre o Mal de Parkinson e uma doença muito rara e sinistra.

Somos o Que Somos - FotoSonoramente "ilustrado" pela natureza, na companhia de uma trilha climática, que se alternam, o longa tem closes tensos, hipnóticos, inquietantes e momentos perturbadores de seus personagens, exigindo um certo estômago daqueles que entenderem rapidamente o que está se passando. Do elenco coeso, competente e desconhecido do grande público (isso é bem legal!), destaque para a atuação das jovens Ambyr Childers e Julia Garner, que fazem as irmãs e, certamente, ainda serão comentadas por trabalhos futuros. A curiosidade fica por conta da boa participação de uma sumida (eterna e irreconhecível) Kelly McGillis (Top Gun - Ases Indomáveis).

Somos o Que Somos - FotoInspirado no longa mexicano Somos Lo que Hay (2010), o diretor Jim Mickle repete a premiada parceria (pela terceira vez) com Nick Damici e apresenta um roteiro simples, funcional, e dividido em quatro emblemáticos dias, começando (também) numa sexta-feira. Mergulhando o espectador em uma atmosfera lúgubre, de visual caprichado com tons de cinza e verde, ele o coloca diante do dilema das jovens irmãs, divididas entre suas próprias crenças e a fé doentia do pai. Com um orçamento baixo, Mickle optou por investir menos em efeitos especiais (comuns hoje em dia) e mais em uma trama de ritmo diferenciado, que segue num crescendo, prometendo revelações, entregando, até chegar em uma sequência final - definitivamente - surpreendente. Prepare-se!

10052020 - ENTRE FACAS E SEGREDOS:

Geralmente os filmes de suspense costumam ser, no mínimo, tensos, né? Agora, o que Entre facas e segredos, o longa dirigido por Rian Johnson, mostra é o quanto o humor pode fazer bem às histórias com assassinatos, perseguições e muitas desavenças familiares. É até curioso dizer, mas está aí uma delícia de filme!

Sim, porque o que Entre facas e segredos requer de você é atenção e disposição para o divertimento. Não vai ser preciso um grande exercício existencial e nem energia para decifrar metáforas enfileiradas. Este, inclusive, é um dos pontos que não me fizeram amar o tão incensado O Poço, da Netflix. Mas isso é assunto para outro texto.

Entre facas e segredos, que acaba de estrear no streaming para aluguel, surpreendeu ao aparecer em três categorias do Globo de Ouro. Foram elas: melhor filme de comédia, atriz para Ana de Armas e ator para Daniel Craig. Para completar, o longa marcou, ainda, presença no Oscar, com uma indicação a melhor roteiro para Rian Johnson. Foram todas merecidas.

A primeira coisa que chama atenção no filme é a direção de arte. Nos primeiros minutos, parece que estamos em uma trama bem antiga. Mas não. É a história contemporânea sobre um escritor muito famoso, Harlan Thrombey (Christopher Plummer), que morre no dia do aniversário de 85 anos. Ele aparece no sótão da casa com o pescoço cortado e tudo leva a crer ter cometido suicídio. Bem, seria essa a conclusão policial se não houvesse o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) na parada.

A partir do momento em que os policiais começam a interrogar os familiares, o roteiro de Rian Johnson nos faz lembrar os romances de Agatha Christie. Inclusive, o cineasta disse abertamente se tratar de uma homenagem à escritora. As provas vão aparecendo e, quando você se dá conta, está totalmente entregue à trama.

Todo ator que assume personagem tão midiático como James Bond, corre o risco de ficar refém dele. Dessa maneira, em Entre facas e segredos Daniel Craig mostra todo o talento e a capacidade que tem de sobreviver longe da sombra de 007.

Ana de Armas, como a enfermeira Marta, é uma grata surpresa. A atriz construiu um ar de desespero misturado com preocupação no olhar que positivamente confunde o espectador. Você teve dó dela? Eu tive. Outro que também me surpreendeu pelo cinismo no olhar foi Chris Evans. Sendo assim, sou muito mais Ransom Drysdale, papel dele neste filme, do que Capitão América!

Se é que há uma temática nesse thriller, acredito Entre facas e segredos fale sobre a mesquinhez humana. E, sim, vale muito pensar sobre isso ainda mais nos tempos em que estamos vivendo. Por todo humor, todo o suspense, toda a inteligência que o filme tem, estou de acordo com o colega Adam Chitwood, do site Collider: “O mundo precisa de mais filmes como Entre facas e segredos”.;

15042020 - PERDEMOS TAMBÉM BRIAN DENNEHY:

Tempos difíceis em que vivemos. Além das dificuldades diárias decorrente do distanciamento social, é preciso lidar com o falecimento cada vez mais constante de ícones que nos acompanharam, anos a fio. Apenas um dia após o infarto fulminante do escritor Rubem Fonseca, chegou a vez de Brian Dennehy se despedir.

Aos 81 anos, Dennehy faleceu devido a causas naturais. Sua carreira como ator teve início apenas aos 38 anos, após servir por cinco anos em Okinawa, no Japão, e ainda trabalhar como motorista de caminhão e açougueiro. Seu primeiro papel de destaque foi em Rambo: Programado para Matar (1982), no qual interpretou o xerife antagonista de Sylvester Stallone. Em mais de quatro décadas de carreira, marcou presença em mais de uma centena de filmes, entre eles Cocoon (1985), Romeu + Julieta (1996) e Ratatouille (2007), onde deu voz ao pai do ratinho protagonista.

O auge de sua carreira, no entanto, foi longe do cinema. Dennehy ganhou por duas vezes o Tony, o Oscar do teatro norte-americano, por A Morte do Caixeiro Viajante e Longa Jornada Noite Adentro. Na TV, faturou o Globo de Ouro e o SAG Awards pela adaptação de A Morte do Caixeiro Viajante (2000). Recentemente, integrou o elenco da série Lista Negra, entre 2016 e 2019.

Descanse em paz, Brian Dennehy.

08032020 - A MORTE DE MAX VON SYDOW:

O ator Max Von Sydow, conhecido por clássicos como O Exorcista (1973) e O Sétimo Selo (1957), morreu neste domingo, 8, aos 90 anos. A informação foi confirmada pela sua esposa, Catherine von Sydow.

“É com o coração partido e uma infinita tristeza que anunciamos a partida de Max”, disse a documentarista.

Batizado como Carl Adolf von Sydow, o ator nasceu em 1929 em Lund, na Suécia. Seu currículo é extenso: fez mais de cem filmes e séries de TV — entre eles 007 – Nunca Mais Outra Vez (1983), Hannah e Suas Irmãs (1986) e Ilha do Medo (2010).

Von Sydow despontou como um dos atores preferidos de Ingmar Bergman: ao todo foram onze longas ao lado do cineasta sueco. Eles se conheceram em 1955 e deram início à parceria no teatro, até pavimentarem, juntos, a carreira no cinema. Seu mais icônico papel sob a direção de Bergman foi em O Sétimo Selo, em que Sydow interpreta o cavaleiro Antonius, numa trama ambientada no fim da época das Cruzadas, enquanto a peste negra e a inquisição ceifam a vida de muitos europeus. Em um momento eternizado pelo cinema, Antonius joga uma partida de xadrez com a Morte (foto do topo), enquanto o personagem encara a própria finitude.


Max fez dois filmes com Telly Savalas: "A Maior História de Todos os Tempos e
"Kojak - O Caso Belarus".

A longa carreira no cinema europeu o levou até Hollywood, onde fez o terror O Exorcista (1973), na pele do padre Merrin. Desde então, intercalou produções entre Estados Unidos e Europa. Em uma de suas últimas colaborações cinematográficas, Von Sydow participou do longa dramático Tão Forte, Tão Perto (2012), que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar, como coadjuvante — antes havia concorrido como melhor ator pelo longa sueco Pelle, o Conquistador (1987). Em outros projetos recentes, fez uma ponta em Star Wars: O Despertar da Força (2015) e também deu vida ao feiticeiro Corvo de Três Olhos na série da HBO Game of Thrones (2016).

16082019 - PERDIDA - LEG.:


O filme Desaparecida surgiu no catálogo da Netflix como uma surpresa para mim e para muitos, pois não estava sendo anunciada (como tantas outras que entram com “teasers” muitos dias antes do lançamento).

desaparecida 2018 netflix filme original perdida baseado livro cornelia 01O longa, baseado no livro “Cornélia” da escritora e jornalista Florencia Etcheves, começa com um tom irresistível de suspense que nos prende desde o início quando vemos que se trata do sumiço da amiga da protagonista – uma policial – e que não é um caso recente, e sim coisa de 14 anos atrás.

Este detalhe, o fato de se voltar a um mistério aparentemente esquecido, traz à tona um sentimento mais denso de um caso com angústias e dúvidas acumuladas.

O problema é que, apesar de a proposta parecer interessante, a execução pecou em pequenos detalhes que acabaram fazendo com que Desaparecida Netflix não recebesse o destaque esperado.

14082019 - OLHOS MORTAIS:

Em 1929, uma editora italiana editou uma série de livros de suspense e mistério, muitos deles traduções de romances americanos e britânicos como os livros de Sherlock Holmes e companhia. Como os livros sempre tinham uma capa amarela, passaram a se chamar “giallo” (amarelo em italiano). Então se você quisesse ler uma história de suspense e mistério com uma trama de detetives era só procurar esses livretos amarelos. A publicação dos “gialli” (plural de giallo) aumentou absurdamente nas décadas de 30 e 40, mas eles continuavam a ser traduções de romances internacionais.

Não demorou para autores italianos escreverem seus próprios gialli: um dos autores mais famosos foi Leonardo Sciascia, responsável por Il giorno della civetta e A ciascuno il suo, e também por artigos polêmicos onde defendia o “giallo” como gênero literário que devia ser respeitado pelos intelectuais. Um dos mais famosos “gialli” que ganhou respeito fora da Itália e virou até filme foi O Nome da Rosa, de Umberto Eco.

A transição do giallo para o Cinema se deu nos anos 60 onde até futuros especialistas em terror dirigiram gialli, como Sergio Martino e Umberto Lenzi. Até o genial Lucio Fulci dirigiu um giallo: Una lucertola con la pelle di donne (Lizard in a Woman’s Skin) de 1971 com a “nossa” Florinda Bolkan no elenco. Mas o primeiro filme considerado giallo e que estabeleceu várias regras que foram seguidas a partir de então para esse subgênero foi La ragazza che sapeva troppo (The Girl Who Knew Too Much), de 1963, pelas mãos do mestre Mario Bava. Mas quando se fala de “giallo” no Cinema é impossível não associar o subgênero a Dario Argento, famosíssimo diretor italiano que iniciou sua carreira com As Plumas de Cristal ( L’Uccello dale piume di cristallo/The Bird with the Crystal Plumage, 1969).

Segundo os especialistas, os gialli seguem certas regras para serem considerados o que são. São elas:

REGRA 1: Muitas pessoas devem ser assassinadas
REGRA 2: Os assassinatos devem ser mostrados com riqueza de detalhes
REGRA 3: A identidade do assassino não deve ser revelada durante esses assassinatos
REGRA 4: O assassino deve usar variados métodos de matar. Inovações são bem vindas, mas também são as luvas negras, navalha e banheira. Armas de fogo não contam!
REGRA 5: Pode haver diversos assassinos. Se sim, um deles pode usar uma arma de fogo
REGRA 6: É preferível que o matador seja desmascarado por um detetive amador e não pela polícia
REGRA 7: O assassino pode se travestir, mas somente quando for matar
REGRA 8: O assassino pode morrer como vítima de um acidente quando estiver preste a ser pego
REGRA 9: As mortes devem ser cometidas por causa de um trauma do assassino
REGRA 10: O filme, ou pelo menos o diretor, deve ser italiano

Claro que pra ser um giallo não é necessário seguir tudo isso, que são na verdade mais curiosidades desse estilo de filme do que propriamente regras. Essa apresentação do giallo foi para mostrar um filme que bebe na mesma fonte literária e cinematográfica desse subgênero. Trata-se de Olhos Mortais (tradução sensacionalista em cima de Occhi di Cristallo, ou Olhos de Cristal), que começa com uma cena de perseguição a um estuprador pelos policiais Giácomo Amaldi (Luigi Lo Cascio) e Nicola Frese (José Angel Egido). Ao prender o estuprador, Amaldi já demonstra métodos pouco ortodoxos de agir já que mesmo com o bandido rendido ainda dá um tiro no joelho do meliante aparentemente sem algum motivo (tal ódio por estupradores será explicado lá para o fim do filme). Só que em meio a isso, um assassino misterioso em passeio pelo campo atira com uma espingarda em um casal que estava fazendo sexo (sempre eles!) e ainda em um velho que estava se masturbando ao ver a cena! E o diretor Puglielli não economiza na violência chegando a mostrar até em close a ferida causada pela bala no seio da garota! A investigação transcorre normalmente e os detetives nem se dão conta de que um novo serial killer está começando a mostrar suas garras. Os tais assassinatos recentes não chegam a fazer parte do grande plano do psicopata, mas servem como força motora para o tal assassino realizar seu grande plano e assim se desprender de um trauma do passado.

Em meio a isso, surge na delegacia Giuditta ( Lúcia Jiménez), uma linda estudante de psicologia querendo denunciar estranhas mensagens em seu gravador feitas por algum tarado qualquer. Nem precisa dizer que Amaldi se encanta pela garota e resolve ele mesmo “pegar o caso“. Um outro personagem interessante é o Ajaccio, um veterano detetive que acaba de descobrir recentemente um mortal tumor no cérebro e revela ter um passado triste e trágico. O interessante é que Giuditta e Ajaccio entram meio que sem utilidade na trama, aparentemente para serem respectivamente o interesse amoroso do protagonista e o objeto de pena/provável assassino, mas ao longo do mesmo os dois adquirem uma importância significativa tanto no plano do assassino quanto para sua identidade ser descoberta.

O filme tem certa dose de violência, mas nunca tão exagerada como algum dos gialli clássicos do Argento. O filme está mais para um Seven e talvez sua diferença aparente dos gialli clássicos seja a de que dessa vez quem investiga os assassinatos não são pessoas “normais” e sim a própria polícia. Na maioria dos gialli a polícia é extremamente incompetente e chega só na hora “H“, em alguns casos até bem depois. Voltando à violência, muita coisa não é mostrada durante o ato, mas o cadáver das vítimas e suas condições são mostrados à exaustão. E não é coisa simples não, o assassino gosta de guardar lembranças como braços, pernas e demais membros para concretizar um plano sinistro. Mas o básico do gênero está lá, até um assassinato de uma dona de antiquário em que só vemos as famosas luvas negras do assassino – algo famosíssimo nos gialli e que fará o espectador sorrir de felicidade.

Outra coisa que enriquece o filme são os personagens. Amaldi não é o estereótipo de tira de Cinema. Não é bonito, tem um passado trágico que o persegue e o transformou ao longo dos tempos em uma espécie de “Lobo Solitário“. Veja a cena em que Amaldi quase estoura a cabeça de um infeliz que estava tentando assustar sua amada Giuditta. A interpretação de Lo Cascio é convincente e passa bem o desespero do personagem de não querer perder mais uma pessoa querida. Por outro lado Giuditta , que começa como uma donzela em perigo e se transforma numa mulher forte na cena final, e Nicola servem como um alívio cômico com suas piadas e jeito bonachão. O assassino por sua vez demonstra não ser tão mau quanto se pensava e sim fruto das atitudes de outras pessoas talvez até piores que ele.

Além disso, o filme conta com uma fotografia muito bem feita a cargo de Luca Coassin, além da excepcional trilha sonora que lembra uma junção de cantos gregorianos e música medieval. O roteiro, baseado no romance “L´Impagliatore” de Luca Di Fulvio, foi escrito pelo diretor Eros Puglielli, Gabriella Blasi e por Franco Ferrini, este último roteirista de vários clássicos do cinema italiano como Phenomena, Demons 1 e 2, Terror na Ópera, A Catedral, Dois Olhos Satânicos, entre os mais recentes filmes de Argento, Insônia e O Jogador Misterioso..

Ao final do filme qualquer fã de cinema italiano que se preze vai esboçar um sorriso. Olhos Mortais pode não ser a salvação da lavoura, mas pelo menos é um exemplo de que a terra da bota se quiser (e se a censura cruel das emissoras de TV – que controla as salas de exibição – deixar) ainda pode fazer ótimos filmes.

11082019 - THE NIGHT OF:

A HBO estreou na semana passada The Night Of, sua nova série limitada em oito episódios. O drama, que foi o último projeto do ator e produtor James Gandolfini (The Sopranos), traz a história Nasir “Naz” Khan, um estudante universitário paquistanês-norte-americano que mora com os pais no Queens, em Nova York. Jovem comum com aspirações normais, ele só queria ir a uma festa em Manhattan para conhecer garotas e, por isso, pegou “emprestado” o táxi do pai. O que era pra ser uma noite comum, no entanto, tornou-se um pesadelo.

Não sabendo desligar a luz de serviço do táxi, Naz acabou levando uma passageira – a bela Andrea – que estava sem rumo e aparentemente inquieta. No apartamento dela, eles se relacionaram, mas para a surpresa de Naz ela foi esfaqueada. Ingênuo, levemente bêbado e drogado, o jovem toma uma série de atitudes estúpidas e daí pra frente podemos atestar que sua vida virará de cabeça pra baixo.

Diferente de um procedural de crimes, The Night Of adota uma narrativa cadenciada e cuidadosa, quase que desembrulhando para o espectador cada aspecto do devido processo legal. Nessa primeira “noite” ao lado de Naz, a série faz os nossos nervos estourarem de tensão, pois sabemos exatamente por onde ele passou, o que ele fez e como que sua situação se tornou cada vez mais insustentável em um júri popular, facilitando e muito o trabalho do promotor que pegar esse caso.

The Night Of aborda, ainda, complexas questões de preconceito racial e evidencia como a vida de pessoas comuns que possuem algum tipo de ascendência do oriente médio é complicada, sofrendo preconceito até de outras minorias perseguidas pela polícia como os negros.

Relevante em seus aspectos temáticos, a série também não faz feio em quesitos técnicos. Fotografada com cores frias, a série adota planos fechados e pouco cortes para evidenciar ainda mais o senso de clausura mental de Naz, tanto no carro quanto na delegacia. Aliás, toda a sequência envolvendo a revista de pertences pelo qual ele passa é digna de nota pela brilhante construção, desde a montagem até o posicionamento das câmeras, fazendo com que aquele rotineiro procedimento pareça durar horas.

Completando o elenco está John Turturro como um advogado porta-de-cadeia que entra no ato final e que pode ser a última saída de Naz, que naquela altura já está completamente entregue ao sistema. O causídico Jack Stone, assim como o detetive que conduz o caso, é calmo e inteligente e os poucos minutos em que aparece mostra como o ator detém um impecável domínio de tela.

05082019 - GRITOS MORTAIS:

O filme não retrata exatamente o que se espera diante dos trechos apresentados durante todo o período de divulgação do seu trailer. Não se diferencia dos demais nesse quesito. Os sustos, caras tortas, maneirismos bonecais e gritos baratos com a música escalando bruscamente alinham o longa a qualquer outro da categoria de horror barato. Adentrar a história de Gritos Mortais, contudo, oferece uma experiência surpreendente para quem não teve o trabalho de isolar o preconceito da produção chamativa inicial. Ainda que curta e pouco empolgante em toda a sua duração, há uma história que tenta se encontrar com uma história ainda mais longa. A cada conectivo que a trama oferece para que o público por si só dê cabo dos nós das respostas, há um conflito entre o que realmente o assusta dentro de toda a obra.

A proposta inicial é tentadora e consegue arrastar a sua atratividade até a metade conclusiva da trama (Reprodução: Cinema Freaks).
O folclore criado ao redor da lenda de Mary Shaw toma caráter de uma daquelas histórias infantis que assustam os adultos que tiveram a má sorte de ouvi-la em um passado distante. O longa resgata bem essa sensação do horror clubista, de reuniões para contos macabros à meia-noite de um fim de semana. A ambientação afogadamente escura já característica de James Wan, nos dá a impressão de que quase tudo é sombrio, mas muito além disso, é macabro e desconfortável. A azulada paleta que se estende durante toda a primeira mórbida metade de apresentação da história conclui para o público um cuidado com o que é exibido. Cada passagem, ainda que dentro de um modelo comercial desagradável para alguns, consegue prendê-lo simplesmente por passar por dentro desta mesma moldura intrigante.

A pacata Raven’s Fair, simbolizando o pior dentro do melhor de uma Silent Hill falida, não chega a ser explorada como deveria para uma trama tão direta e insistente em se revelar no cenário. Há no filme um caráter ambicioso de contar algo marcante com ferramentas antigas e particularidades óbvias do cinema deste tipo. Na cidade, cenário ideal para o desenvolvimento maior de toda a contribuição de personagens para a trama, não se destrincha mais do que alguns relatos ou breves histórias distantes sobre do que tudo aquilo se trata. Raven’s Fair é esquecida pelo roteiro, pela direção e pela própria contribuição dos poucos personagens criados para sustentar a mobilidade da história com a mesma fluidez que chega ao público desde o seu começo.

A relativização dos personagens contribui muito para a intrigante história que aparenta ter surgido do nada a partir da segunda metade da trama. Jamie Ashen (Ryan Kwanten), embora protagoniza massivamente toda a história ao lado da assombrosa Mary Shaw e sua coleção de bonecas, chega a ser obstinado cegamente diante da maioria dos eventos quando comparado ao que acontece a outros menores, como Henry Walker (Michael Fairman) vivendo seu pequeno negócio na cidade. A atuação não é de toda ruim. Há uma quebra mal feita da casca do personagem adolescente barato, o que é admirável para o que já surpreende dentro da trama até então. Contudo, enaltecer o razoável dentro do potencial de conquista que a história possuiria com um bom direcionamento do que as emoções do protagonista poderiam oferecer (principalmente para uma conclusão como a do filme), é no mínimo um equivoco.

Alguns personagens, ainda que com pouco tempo em cena, conseguem atrair uma atenção essencial para a montagem de peças dentro do mistério da narrativa (Reprodução: Moviery).
Existe uma precariedade quanto a algumas locações quando comparadas às demais presentes em toda a extensão da obra. Cenas como a do hotel ou as externas com o cemitério visitado por Jamie Ashen quando o filme já se encaminha para o fim, poupam em muitos detalhes que em outros cenários se destacaram como decisivos para a criação e obtenção fidedigna do medo no público. Há nessa discrepância uma obrigação de manutenção muito importante para que a imersão do filme com a promessa de uma história assim se desenvolva com saúde. Essa sinuosa linha de qualidade dos cenários não convenceu tanto quem já havia se surpreendido com cenas bizarras dentro da sala de autópsia de Henry Walker ou a própria mansão do pai de Jamie Ashen, Edward Ashen (Bob Gunton).

O filme se torna interessante tecnicamente pela combinação já conhecida de James Wan com a atmosfera de um roteiro que busca uma luz certa para a imersão final. A qualidade e a garantia de uma apresentação sombria de cenários que se propõem como desta categoria é o bastião usado aqui para finalizar o grande conto sobre Mary Shaw com estilo e sem queimar muito a linha de equilíbrio entre o imaginário e as revelações reais que por um curto período de descoberta orbitam o personagem principal. Gritos Mortais é um filme que conquista por uma boa história, mas não por uma grande preocupação com o que ela poderia ser com isso. Um grande conto bem contado para um público com a luz da sala desligada e as velas acesas.

23062019 - THE INCUBUS:

Em uma pequena cidade, Roy Seeley e sua namorada Mandy Pullman estão acampando junto ao lago. Fora do azul, eles são atacados e Roy é assassinado, enquanto Mandy é violentamente estuprada. Dr. Sam Cordell está impressionado com a violência e percebe que Mandy teve o útero rompido. Depois, a bibliotecária Carolyn Davies também é violentamente estuprada e assassinada.

O tenente Drivas acredita que as mulheres foram estupradas por uma gangue enquanto Sam e Sheriff Hank Walden acreditam que apenas um homem fez. A repórter snoopy Laura Kincaid está sempre interferindo com a investigação e Sam tem um caso de amor com ela. Enquanto isso, o jovem Tim Galen, que data filha de Sam Jenny Cordell, revela que ele tem visões premonitórias das mortes, mas sua avó Agatha Galen tenta convencê-lo que ele não tem nada a ver com os assassinatos. Mas quando Jenny aprende sobre seus sonhos, ela convoca seu pai, Laura e eles descobrem um segredo sobrenatural sobre a família de Galen.

02062019 - SUSPIRIA 2018 - MUITO BOM?

Em uma das cenas iniciais de Suspiria: A Dança do Medo, remake dirigido por Luca Guadagnino, um ditado emoldurado afirma que “ninguém pode tomar o lugar” de uma mãe. Além de definir grande parte dos sentidos do longa, a afirmação pode atestar, de certo modo, que o filme de Guadagnino não quer de forma alguma tomar o lugar do clássico giallo de Dario Argento. Quaisquer comparações qualitativas entre as duas obras, portanto, não entram em questão.

Este novo Suspiria, roteirizado por David Kajganich (de A Piscina), apresenta a mesma trama original de uma perspectiva, ou melhor, perspectivas bastante frescas. Ainda há a jovem Susie Bannion (Dakota Johnson), que chega à Academia Markos para treinar sua dança, mas desta vez não acompanhamos o mistério apenas através de seus olhos. Entram na mistura um psiquiatra sobrevivente do holocausto nazista, as mulheres que administram a escola e uma força – maligna? – que se apega a Susie.

O ponto mais instigante que este Suspiria aprofunda é a disputa de poder que ocorre dentro da Academia Markos, cujo conselho é constituído de bruxas – algo que o filme deixa claro logo de início. Em um embate que divide as administradoras em dois principais lados, entre manter a bruxa anciã Markos no poder ou conceder o controle da escola para sua aprendiz Madame Blanc (Tilda Swinton), as relações de poder exercidas por elas, outsiders que habitavam o subterrâneo, ironicamente espelha as disputas políticas fora da academia.

A configuração desta batalha interna tem seu propósito reafirmado quando Kajganich cria novas e surpreendentes viradas para a história, dando sentido às sequências de sonho aparentemente aleatórias e culminando em um clímax que, além de satisfatório em sua sanguinolência e cativante na experimentação estética com tons vermelhos e baixa taxa de quadros, oferece uma recompensa lógica para quem já estava montando algumas das peças. É aqui que Suspiria se confirma, sem dúvidas, como uma releitura totalmente despreocupada com a reverência. “Negue sua mãe”, diz Markos, e isso se faz.

A atenção de Guadagnino com as regras desse mundo e sua execução por vezes não anunciada destas revela uma disposição do cineasta em brincar com o que esta mitologia lhe oferece, mesmo que custe a paciência do espectador que espera por um explícito e objetivo show de sanguinolência logo de cara. Quando uma certa dança macabra ocorre, com uma mulher que tem o corpo distorcido e cada um de seus ossos quebrados por magia, há pouco o que fazer além de encarar em choque – a repulsa se repete mais vezes mas de forma seleta, o que a torna ainda mais chocante.

A dança, aliás, é um componente vital para o funcionamento de Suspiria como uma máquina de choques viscerais. A ocasião da dança contorcida pode chocar por sua natureza gráfica e escatológica, mas essa e praticamente todas as outras danças são coreografadas e entregues com a mesma agressividade, com planos precisos de partes de corpos e o som acentuado de músculos tensionando, mãos e pés chocando-se contra superfícies diversas. Não se sabe quando ossos se quebrarão novamente. Os muitos cortes da montagem por Walter Fasano, por sua vez, criam uma aflição rítmica.

Para essa dança inquietante, então, a música de Thom Yorke é inestimável. Na ocasião mais comum, o compositor cria melodias inesperadamente belas para uma obra de tais pretensões – a canção Suspirium merecia ao menos uma indicação ao Oscar – e as envolve em uma ambiência macabra, e durante as apresentações e performances é capaz de evocar um estado de transe pela percussão precisamente compassada e uma distorção lisérgica de sons e vocais. As músicas ritualísticas formam, de fato, uma playlist provável para um ritual obscuro – e talvez um pouco hipster.

Porém nem todas as ambições de Guadagnino e Kajganich são correspondidas. A história paralela do psiquiatra Josef Klemperer (interpretado por Tilda Swinton sob maquiagem impressionante) cumpre seu propósito de manter a realidade local em voga, com sua busca conturbada pela esposa desaparecida durante a Segunda Guerra Mundial. Mas Guadagnino busca nessa trama uma emoção catártica – procurada também pela trilha – que não necessariamente atinge, embora o epílogo se dedique quase todo a fechar o arco de Klemperer.

23052019 - O MISTERIOSO CASO DE JUDITH WINSTEAD:

Produções de terror found footage têm, como objetivo principal, gastar menos e faturar mais vender "realidade". Parte desses filmes se baseiam em eventos verdadeiros, mas outros apenas alegam fatos que nunca aconteceram. Este é o caso de O Misterioso Caso de Judith Winstead, que monta um documentário sobre único caso de possessão demoníaca confirmada pelo Governo dos EUA. A grande verdade é que este caso não passa de invenção da cabeça dos roteiristas, tornando todas aquelas considerações finais irrelevantes. Essa busca pelo "realismo", ao mesmo tempo em que faz o filme se destacar, também o limita em seu desenvolvimento, tornando-se uma faca de dois gumes.

Na trama, Dr. Henry West fundou o Instituto Atticus no início de 1970 para testar indivíduos que manifestassem habilidades sobrenaturais. Apesar de testemunhar vários casos notáveis, nada poderia ter preparado o Dr. West e seus colegas para Judith Winstead. Ela superou todas os indivíduos que já haviam sido estudados – logo ganhando a atenção do Departamento de Defesa dos EUA, que posteriormente assumiu o controle do centro de pesquisa. Quantos mais experimentos eram realizados em Judith, mais claro ficava que suas habilidades eram uma manifestação das forças do mal dentro dela, levando o governo a tomar medidas para transformar essa força em uma arma. Mas eles logo descobriram que há poderes neste mundo que simplesmente não podem ser controlados. Agora, os detalhes dos eventos inexplicáveis que ocorreram dentro do Instituto Atticus estão vindo a público depois de permanecerem em sigilo por quase quarenta anos.

Ao contrário de vários filmes found footage, este de fato se parece com um documentário de verdade. Seguindo os moldes dos documentários exibidos pelo History Channel, o enredo de O Misterioso Caso de Judith Winstead cumpre bem a sua proposta de desenvolver um mockumentary, com direito a depoimentos e, principalmente, fotos e vídeos do caso do qual a história se trata. E, apesar de ser uma abordagem diferente no gênero, tratar toda a trama como um simples documentário também tem o seu preço negativo. Devido ao acesso de depoimentos no decorrer da narrativa, é difícil para o espectador se concentrar no núcleo que é realmente importante para a história: os experimentos com Judith Winstead.

Particularmente, não achei essa abordagem ruim, mas sua execução esteve longe de ser perfeita. Alguns dos atores prestando depoimentos não tiveram um bom desempenho, e essa quebra na narrativa poderia ter diminuído com o desenrolar do filme, dando a chance do diretor construir um clima de tensão – que foi impossível ser mantido devido as constantes quebras de ritmo. Esse não é um documentário verdadeiro e sequer relata uma trama baseada em uma história real, então não havia mesmo necessidade de focar tanto nas pessoas falando. O objetivo desta produção é ser um filme de terror, pelo amor de Deus. Apesar de tudo isso, eu não achei o filme realmente entediante, conseguindo manter minha atenção mesmo com todas as interrupções.

O roteiro apresenta algumas ideias interessantes, mas elas poderiam ter sido melhor desenvolvidas. Primeiro que os testes parapsicológicos com a Judith Winstead poderiam ter sido estendidos. Tivemos algumas cenas realmente legais com ela manifestando o seu "poder", e o roteiro poderia fazer uso de mais momentos como aqueles antes do Governo dos EUA se intrometer na história. Também considero essa ideia do Governo usar o "desconhecido" para ficar à frente dos seus inimigos interessante, mas, sabendo com o que estavam lidando, eles poderiam ter estudado um pouco mais a entidade sobrenatural que estava a sua frente. O enredo perdeu a oportunidade de criar excelentes diálogos entre os militares e entidade que estava possuindo a protagonista. Poderíamos ver, pela primeira vez desde O Exorcista, uma conversa franca com um demônio, e conhecer melhor suas intenções.

Tenho certeza de que nem todos irão gostar deste filme, mas eu o considero relativamente acima da média. Há diversas cenas legais – mas não exatamente originais – que garantem o entretenimento da trama. Só confesso que não gostei nada do final. Poderia ter um desfecho bem mais elaborado, mas a sensação que fica é que o roteirista estava com pressa para concluir a história que criou. Por último, acredito que a atriz Rya Kihlstedt merece um destaque no papel da protagonista, Judith Winstead. Ela se saiu muito bem no papel, conseguindo representar muito bem o que era esperado de sua personagem. É uma pena que ela não tenha tido mais tempo em tela; caso o filme focasse um pouco mais nela e menos nos depoimentos, talvez o resultado final fosse superior.

CONCORDO:

OBJETOS CORTANTES:

E quando seu trabalho te obriga a encarar escuridão que habita em você? Essa é a trajetória de Camille Preaker, personagem de Amy Adams em Sharp Objects. Escalada para cobrir um assassinato em sua cidade natal, a jornalista é levada a confrontar seus próprios demônios e os traumas de seu passado.

A série, traduzida pela HBO como “Objetos Cortantes”, é uma adaptação do livro homônimo de Gillian Flynn, também autora de Garota Exemplar (Gone Girl). A princípio, a ideia seria rodar a adaptação como um filme, mas Marti Noxon, roteirista de Mad Men que comandou a adaptação, conseguiu transformar o projeto em uma minissérie de 8 episódios. Segundo Noxon, a personagem precisava de mais espaço para ter sua evolução contada.

E se você ainda não está convencido de que vale a pena assistir, saiba que Sharp Objects é dirigida por Jean-Marc Vallée, responsável pela incrível Big Little Lies e o premiado filme Clube de Compras Dallas. A HBO realmente vem mostrando que não trabalha apenas com séries de primeira linha no gênero fantasia, como Game of Thrones e Westworld, mas também traz verdadeiras obras de arte atuais, como nos acertos recentemente em True Detective e mesmo Big Little Lies.

Chegamos portanto a Wind Gap, Missouri, onde se passa a trama de Sharp Objects. Ainda que de fato exista uma cidade chamada Wind Gap na Pensilvânia, a localidade criada por Gillian Flynn é totalmente fictícia. Mas não por isso, inverossímil. A cidade natal de Camille Preaker (Amy Adams) é a típica cidadezinha americana do interior onde todos se conhecem e as pessoas ficam marcadas pelos estigmas de sua infância.

A polícia de Wind Gap, ainda que bem-intencionada, é incapaz de lidar com a recente onda de assassinatos de adolescentes que já abateu duas garotas e instaurou medo e desconfiança entre seus habitantes. O xerife Bill Vickery (Matt Craven) e o detetive de Kansas City, Richard Willis (Chris Messina), são os responsáveis pelas investigações.

Enquanto as buscas avançam, Camille Preaker é designada por Frank Curry (Miguel Sandoval), editor-chefe do jornal St. Louis Chronicle, para cobrir a história, aproveitando-se de sua conexão especial com sua cidade natal e seu conhecimento das figuras pitorescas da cidade.

Camille, no entanto, reluta para aceitar o convite, pois sabe que acabará se confrontando com os demônios de seu passado em Wind Gap. Mas Frank, apesar de nutrir algum tipo de afeição paterna por Camille, não está aberto a negociações.

Antes mesmo de sua volta a Wind Gap, somos tragados pela escuridão que habita na repórter, que transparece por meio de seu alcoolismo, alucinações e comportamento de automutilação, o que chegou a levá-la à internação.

Não há dúvidas de que este papel é um presente para Amy Adams, que tem a chance de provar que está no hall de melhores atrizes da atualidade e merece ter acumulado suas cinco indicações ao Oscar. Outro nome considerado para interpretar a protagonista foi Jessica Chastain (A Hora Mais Escura).

Assim como Cora Tanetti, personagem de Jessica Biel na série The Sinner, a complexidade de Camille Preaker e sua relação com a família é um prato cheio para qualquer psicanalista. E isso é algo que Sharp Objects consegue explorar muito bem.

Em seu retorno a Wind Gap, os flashbacks da infância de Preaker, interpretados pela atriz mirim Sophia Lillis (It: a Coisa), sugerem um forte trauma ainda não revelado, mas que provavelmente irá ser desvendado ao longo da série. Até lá, vamos sendo apresentados à figura de sua mãe, Adora (Patricia Clarkson), e entendemos melhor alguns dos comportamentos de Camille Preaker.

Adora é uma socialite acostumada a uma vida de privilégios em Wind Gap. Mimada e narcisista, acha que o mundo gira em torno de si e que tudo é sempre sobre ela. Por isso considera a chegada de Camille para escrever uma matéria sobre os assassinatos na cidade uma ofensa ao nome da família, que tanto preza em defender. Rapidamente notamos o comportamento controlador e repressor de Adora com suas filhas, que parece ter se intensificado com a morte da filha de seu segundo casamento, Marian Crellin (Lulu Wilson).

Adora sempre deixou clara sua preferência por Marian, já que Camille a lembrava demais seu ex-marido.

Mas Camille tem mais uma meia-irmã, Amma Crellin (Eliza Scanlen). Por ser bem mais nova, parece ter sido uma forma de Adora lidar com a ausência de suas duas filhas anteriores, já que Marian faleceu e Camille se mudou para a “cidade grande”. Na trama de Sharp Objects, Amma tem aproximadamente a idade de Marian, quando esta faleceu.

A morte de Marian parece ter sido um divisor de águas na vida da família. Enquanto a reação de Adora parece ser uma espécie de negação, mantendo o quarto de Marian impecável e intocado, a de Camille passa a ser a de autopunição, marcando palavras em seu corpo com objetos cortantes.

Nesta nova estrutura familiar, temos uma enorme similaridade com as personagens de The Sinner, com uma mãe que introjeta culpa nas filhas, um pai ausente, uma filha tomada pela culpa e outra por impulsos imprudentes. Ou seja, um prato cheio para a psicanálise.

Ainda que esta dinâmica seja extremamente prejudicial para a psiquê de Camille, seu editor-chefe parece acreditar que ela precisa encarar os fantasmas de seu passado, o que nos faz pensar que Frank Curry talvez saiba mais do que aparenta. Curry parece atuar como uma espécie de mentor ou figura paterna para Camille, e suas constantes ligações para checar o andamento das matérias parecem disfarçar sua real intenção de acompanhar seu estado emocional.

A evolução de Camille Preaker realmente parece ser o objetivo central de Sharp Objects. Gillian Flynn revelou em entrevistas que sua intenção era escrever um estudo de personagem sobre Camille, mas por achar que ninguém se interessaria em ler um livro sobre raiva e violência, através de três gerações de mulheres, camuflou estas temáticas em meio a uma história de investigação e mistério.

Flynn brinca que esta foi a maneira de “enganar” as pessoas para que lessem sobre estes temas.

Estamos vivendo uma onda de obras incríveis lideradas por mulheres, como The Handmaid’s Tale e a já citada Big Little Lies. Sharp Objects vem nessa mesma pegada: melancólica, profunda, poética e com roteiro e atuações impecáveis.

Ainda que as duas primeiras tragam dramas essencialmente ligados ao feminino, Sharp Objects se diferencia ao trazer uma personagem forte, mas atormentada por questões existenciais, vícios e traumas do passado. Características que compõem um papel de anti-herói atormentado, geralmente reservado a protagonistas masculinos, como por exemplo Rust Cohle, personagem de Matthew McConaughey em True Detective.

Casey Bloys, diretor de programação da HBO, afirmou em entrevistas que não conseguiria pensar em uma protagonista feminina mais complicada que Camille Preaker: “existem célebres protagonistas masculinos com tendências autodestrutivas por aí, mas será realmente interessante ver uma mulher lutando contra seus demônios”.

Outro ponto interessante a ser ressaltado nessa onda de séries lideradas e focadas em mulheres é ver atrizes extremamente talentosas acima dos 35 – como Elizabeth Moss e Jessica Biel, dos 40 – como Reese Witherspoon e Amy Adams, e até dos 50 anos – como Nicole Kidman e Laura Dern – com espaço para desenvolver personagens complexas em mais tempo de tela do que um longa nos cinemas poderia oferecer.

Infelizmente (ou felizmente), Casey Bloys já afirmou que a segunda temporada de Sharp Objects não irá acontecer. Ainda que o fato da minissérie encerrar integralmente a trama do livro não queira dizer nada, considerando que Big Little Lies e The Handmaid’s Tale foram renovadas para temporadas que extrapolam seus livros, Amy Adams já declarou que não tem intenção de voltar a viver Camille Preaker, pelo processo desgastante de retratar uma personagem com questões tão pesadas.

Sorte a nossa. O formato de minissérie tem sido bem-sucedido em contar histórias que possuem um pouco mais de fôlego, mas precisam contar com um encerramento claro, dramático e bem definido.
Que oito episódios sejam suficientes para que Camille Preaker vença seus demônios.

A CASA DO MEDO : INCIDENTE EM GHOSTLAND:

 

O gênero terror me fascina desde pequeno e isso não é novidade pra quem convive comigo. Mas claro que há muitas produções ruins e também há várias que assisto por educação, mesmo sabendo que não apresentam alguma novidade. Mas 2018 parece ser um ano atípico. Claro que ainda dá pra contar nos dedos as melhores obras assustadoras que já foram lançadas até o momento. Depois de Hereditário, precisamos dar atenção para “A Casa do Medo: Incidente em Ghostland”.

O longa do até pouco conhecido Pascal Laugier conta a história de uma mãe que herda uma casa de sua tia e decide mudar para lá com suas duas filhas. Pela infelicidade da família, já na primeira noite na nova residência elas são atacas por invasores violentos.

Violento, caótico e perturbador. “A Casa do Medo: Incidente em Ghostland” é pra quem tem estômago e psicológico bom para ver uma hora e meia de muito susto e reviravolta. O que mais me chamou a atenção nesse filme é o enredo, pode até estarem presentes alguns clichês, mas não perde fôlego durante a trama. Laugier, que também assina o roteiro, mostra que o gênero terror ainda tem muito que mostrar, ainda há como fazer ótimas histórias sem cair na mesmice.

“A Casa do Medo: Incidente em Ghostland” é uma mistura de “A Casa de Cera” (2005), de Jaurne Collet Serra, com “Violência Gratuita” (1997), de Michael Hankeke. É o filme do subgênero slasher que estava faltando neste ano. E ainda é aquele tipo de filme para ser revisto várias e várias vezes.

Se você ainda quer se familiarizar com as obras de Pascal Laugier, sugiro que veja “Mártires” (2008) primeiro. De preferência com alguém, claro. Neste longa, podemos ver as técnicas de roteirização e de direção de Laugier, a sua habilidade por reviravoltas, o suspense e a sensação de inquietude.

A JUSTICEIRA - 2018:

A singela conversa entre mãe e filha, típica do ensinamento sobre o convívio em sociedade com base no respeito ao outro, é apresentada logo no inicio de A Justiceira para, de imediato, destacar o contraste entre o que Jennifer Garner era e no que se torna neste filme. Tamanha transformação é o foco central deste novo filme dirigido por Pierre Morel, nem tanto pelo peso psicológico mas, especialmente, pela possibilidade de intensas cenas de ação com sua protagonista. Isso, o filme cumpre bem.

A bem da verdade, a história de A Justiceira é pra lá de batida! Não só remete a diversos filmes de vingança estrelados por Charles Bronson como, mesmo em sua contraparte feminina, lembra bastante Valente, filme de ação estrelado por Jodie Foster lançado 11 anos atrás. Em ambos, uma mulher leva uma vida feliz até ser golpeada com um trauma brutal: em Valente, a morte do noivo e em A Justiceira, o assassinato de marido e filha. O suficiente para que, recuperadas fisicamente, ambas decidam assumir o posto de vigilante, em busca de justiça.

Ambos os casos trabalham com a proposta da falência do sistema judiciário, com suas brechas de escape aos réus e mesmo a propina descarada, a juizes e advogados. È apenas por não ter a quem recorrer legalmente que tanto Foster quanto Garner assumem tal tarefa com as próprias mãos, em um viés psicologicamente compreensivo mas socialmente perigoso devido à defesa do "olho por olho, dente por dente". A diferença é que, em A Justiceira, o foco vai mais para as cenas de ação, muito graças à especialidade de seu diretor.

Com o primeiro Busca Implacável no currículo, Pierre Morel sabe bem como conduzir cenas de ação mais cruas, que explorem a brutalidade e a violência. Soma-se a isto uma Jennifer Garner decidida a relembrar seus tempos de Alias, em um papel que lhe exige bastante fisicamente. Com uma personagem unidimensional em mãos, a atriz se entrega ao trazer uma personagem vigorosa em relação ao que se propõe, mas apenas isto. Na verdade, o filme como um todo se resume à execução de tal vingança, de forma rasa e burocrática. Nem mesmo as subtramas apontadas - a corrupção na política, o suposto interesse amoroso, os excluídos que se tornam protegidos - são desenvolvidos pela narrativa.

Um aspecto interessante que A Justiceira aborda - de leve - é a questão da repercussão de seus atos através das redes sociais. Tamanho apoio reflete não só o descontentamento com o status quo mas, também, a defesa escancarada da filosofia do "bandido bom é bandido morto", muito devido à falência do sistema como um todo. Além disso, vale ressaltar como a existência de tal tecnologia é inserida na narrativa, de forma a auxiliar a protagonista em sua busca por justiça vingativa.

Sem muita inspiração, A Justiceira é um filme até competente nas cenas de ação, mas sem ter muito a dizer além disto. Mesmo para Pierre Morel, especialista do gênero, trata-se de um subproduto do que já entregou anteriormente, como o ótimo Dupla Implacável. Apenas regular.

09012019 - EXCELENTE - UM LIVRO SOBRE A VIDA DE ALEXANDER FU-SHENG - EU GOSTEI MUITO !!

30112018 - DUPLA EM FÚRIA:

Quando uma série de assassinatos misteriosos começam a assustar a cidade, o rebelde Wang (Zhang Wen) e o veterano Huang (Jet Li) são designados para resolver esse enigma. Durante a investigação a dupla descobre que todas as vítimas tiveram relação com Liu, uma aspirante a estrela. Agora, um deles terá que se disfarçar de amante, de forma que o assassino revele sua identidade.

30112018 - FORA DO RUMO:

"Fora do Rumo” deveria ser uma espécie de renascimento para três figuras que andavam sumidas do entretenimento mainstream. No papel, a redenção parece pronta para funcionar. Renny Harlin, autor de fitas de ação divertidas como “Risco Total” (1993) e “Do Fundo do Mar” (1999), dirige o astro Jackie Chan e o comediante Johnny Knoxville (“Jackass”) em uma aventura pelo oriente.

Seria a combinação perfeita se estivéssemos no começo dos anos 2000, quando estourou a série “Jackass”, ou entre os anos 1980 e 1990, quando Chan emplacava praticamente um hit por ano. Em 2016, já parece um tanto gasta a fórmula da camaradagem entre dois estranhos que se juntam para solucionar ou evitar um crime. Cabe a um bom diretor renovar o formato, como aconteceu na franquia “Anjos da Lei”.

Bem verdade que a direção de Harlin também não se esforça. Coprodução mais concentrada na China e em Hong Kong do que nos EUA, “Fora do Rumo” encontra os personagens em situações distintas. Bennie Chan (Chan) é um detetive obcecado em derrubar um rei do crime que supostamente matou seu parceiro nove anos atrás.
 
Outra missão, mais pessoal, é cuidar de Samantha (Fan Bingbing), filha do amigo. Lá pelas tantas, ele é forçado a tirar férias pelo delegado da polícia de Hong Kong. É nesse tempo ocioso que ele esbarra com Connor (Knoxville), um apostador americano metido em confusão com a máfia russa. Enquanto retornam para Macau a fim de derrubar o figurão, eles viram improváveis amigos.

11052018- BILLY JACK:

O mestiço Billy Jack vive em uma reserva indígena e protege os índios, os cavalos e os estudantes da Freedom School, uma escola de arte pacífica dirigida sem preconceitos por Jean Roberts e onde os estudantes podem escolher seu próprio destino.

Quando a filha adolescente do corrupto policial Mike, Barbara, é trazida de volta para casa pelo xerife Cole, ela conta que está grávida e é agredida por seu pai. O xerife Cole e o médico local Doutoror pedem a Jean se ela pode acolher Barbara na escola, e ela recebe a traumatizada adolescente de braços abertos.

Mas o pai dela, juntamente com o corrupto e poderoso Stuart Posner e seu filho covarde Bernard Posner, iniciam uma campanha de difamação da escola e a humilhar os estudantes, enquanto Billy Jack luta para controlar seu ódio contra o preconceito e violência dos moradores. Mas quando ele descobre o que Bernard fez com Jean, ele tem que usar violência.

15012018 - O ESTRANGEIRO:

Ao lado da refilmagem cheia de personalidade (até demais) de Karatê Kid, O Estrangeiro se posiciona como um contraplano à carreira que Jackie Chan construiu para si. Figurinha carimbada de movimentadas comédias de ação que foram de Police Story até os divertidos A Hora do Rush, a substituição feito pelo ator sobre um papel que antes era de um lendário Pat Morita desnudou um boom de reconhecimento e prestígio o qual parecíamos estar apenas esperando pelo filme certo para explorar. Chan compôs muito da alma e do coração daquele filme, e O Estrangeiro repete este feito, por mais que suas chegadas nos cinemas esteja acontecendo de forma bem tímida, apesar do grande sucesso que alcançou nos EUA.

E antes de qualquer coisa, O Estrangeiro é um veículo para Chan e sobre Chan. Não à toa, o filme carrega seu nome como produtor, assim como grande parte da movimentação física da obra aconteça quando Chan, no auge dos seus 63 anos, se faz presente em cena e investe nos pulos, acrobacias, golpes, chutos e socos que todos sabemos dos quais o ator é capaz. E claro, há um certo charme ao vermos Chan adentrando e emulando esse novo formato de cinema de ação mais seco, com seu viés político que é quase uma obrigação (mas raramente faz alguma diferença) e toda a construção do exército de um homem só, no qual inspirações no cultuado Busca Implacável são inegáveis. Neste caso, Chan interpreta Quan Ngoc Minh, um pai que após ter sua filha (Katie Leung) assassinada durante um ataque terrorista de autoria reivindicada pela IRA, se vê na obrigação de buscar a própria justiça após a negligência da polícia e do primeiro-ministro Liam Hennessy (Pierce Brosnan, que claramente está aqui por ecos de sua parceria com o diretor Martin Campbell em 007 Contra GoldenEye).

Como qualquer entretenimento de encomenda (pois sim, não há como negar que O Estrangeiro é isto), há pouquíssimas firulas para a narrativa chegar ao seu ponto principal, de fato, o que é um alívio para quem almeja assistir a ação ser desenrolada na tela, mas também uma preocupação para quem teme o sacrifício de alguma veia dramática que possa nos aproximar dos personagens. É fato que o roteiro de David Marconi (vindo dos ótimos Inimigo do Estado e Duro de Matar 4.0) se desleixa neste ponto e apenas arremessa a responsabilidade dramática especialmente nas costas de Jackie Chan, que para nossa felicidade, dá conta do recado e exibe as expressões honestas de um pai amoroso, porém cansado, traumatizado, marcado pelas tragédias que a vida lhe impôs, porém decidido a encontrar pelas próprias mãos a justiça necessária por sua filha. A jornada de Quan é permeada por acontecimentos inverossímeis sim, mas que ganham contornos especialmente comoventes graças à presença corporal de Chan, que se alonga para além dos chutes e socos.

No que concerne ao seu subtexto político, Marconi pesa a mão nos momentos em que tal argumento precisa se fazer notável, embora há de se admitir que existe algum esmero no retrato fidedigno que o filme elabora sobre a IRA, que mesmo tendo suas lutas armadas encerradas em 2005, ainda cria integrantes capazes de investir nas práticas do grupo terrorista. Ao menos tais plots servem com eficácia ao personagem de Brosnan, que assume sua presença dúbia enquanto sendo a escolha de Quan para encontrar o nome dos envolvidos no ataque que tirou a vida de sua filha. E Pierce, com sua postura naturalmente arrogante e prepotente, veste bem esse papel.

E o diretor Martin Campbell, um tanto distante dos dias de glória em 007 Cassino Royale e O Fim da Escuridão, ao menos elabora um trabalho pontual mesmo diante de tanta burocracia, e sua câmera sabe muito bem como namorar a ação sem desorientar o espectador, ainda muito contribuída aqui pelo fôlego de Chan. Diretor e estrela se fazem em sintonia, o que eleva o resultado final do conjunto, que se não é memorável por méritos próprios, justifica suas motivações com a rica presença do astro Chan, que confere substância a um filme que, sem ele, seria apenas correto.

14122017 - FOTOS:

                                                                                              

25062017 - CÓDIGO DO SILÊNCIO:

Eddie Cusack (Chuck Norris) é um detetive de Chicago que trabalha pelas suas póprias regras, um hábito perigoso, especialmente quando quebra o pacto do "Código de Silêncio" para testemunhar contra um policial que matou um suspeito desarmado. Mas agora ele não recebe qualquer ajuda dos seus colegas quando se vê metido numa batalha contra dois reis do crime rivais.

22023017 - FATAL:

Como um vírus contagioso, bonitas e atléticas adolescentes - todas lutadoras de artes marciais - começam a desaparecer em todo o mundo. Por trás desses sequestros está a poderosa Madame M, que pretende transformá-las em imbatíveis assassinas profissionais. Depois de anos de severo e cruel treinamento, apenas três garotas sobrevivem. São elas, as belas e sensuais, Charlene, Jing e Katt, mulheres de corpos atléticos que recebem arriscadas missões. Mistura de Nikita e As Panteras, Fatal registra sensacionais cenas de lutas marciais. Um espetáculo único.

18012017 - A REBELIÃO DOS BOXERS - COM ALEXANDER FU-SHENG.
AVALIAÇÃO: MUITO BOM

Esta é uma das maiores e mais caras produções de todos os tempos do Estúdio Show Brothers. Mistura os ingredientes de um filme de Kung-Fu tradicional com os fatos históricos ocorridos entre 1898 e 1901, quando patriotas chineses lutaram para expulsar os estrangeiros que lá viviam. Este filme é centrado na história de três jovens lutadores de artes marciais que buscam colegas patriotas insatisfeitos com os estrangeiros imperialistas e acabam se juntando a uma facção liberada por um oportunista. Uma rara oportunidade de ver a histórica rebelião, que foi retratada em vários filmes ocidentais, sendo contada pela ótica dos chineses.

16082016 - ROGUE O ASSASSINO:
AVALIAÇÃO: REGULAR

Para os fãs do cinema de ação, os nomes de Jason Statham e Jet Li no cartaz bastam para justificar o ingresso da sessão. Dois dos astros de artes marciais mais famosos da última década, ambos são sinônimos de boa pancadaria.

Mas é justamente esse o problema de Rogue - O Assassino (Rogue). Inexplicavelmente, falta ação no filme! Ou pelo menos cenas mais criativas de lutas, perseguições, etc. Rogue se contenta com um arroz-com-feijão, que o diretor Philip G. Atwell, egresso dos videoclipes, DVDs e direção de segunda unidade, classifica como "realista". Dá pra entender que a intenção aqui não era fazer gente subir pelas paredes ou dar chutes impossíveis, mas o trabalho do famoso coreógrafo Coren Yuen (que trabalhou, entre dezenas de outros filmes, na trilogia Matrix) está apagado demais.

Atwell parece genuinamente mais interessado na história do filme, o que não é demérito algum - pelo contrário. O problema é que ele não é nenhum Scorsese e tentar fazer algo na linha de Os Infiltrados está muito além de suas capacidades. O que deveria ser uma história intrigante acaba mesmo sendo um falatório pouco interessante e arrastado. Bons personagens também são desperdiçados. A personagem da atriz Devon Aoki, por exemplo, a letal filha de um chefão do crime, não tem relevância à trama e fica só na promessa de um combate. Outro momento que decepciona é o embate entre Stathan e Li, aguardado pelos fãs desde O Confronto, de 2001. Quando finalmente eles se enfrentam, não saem as faíscas prometidas e é tudo muito rápido. Muito melhor é a luta de espadas entre o veterano Ryo Ishibashi e Li alguns minutos antes.

Nem tudo está perdido, porém. Há uma boa reviravolta no final, que é difícil de ver chegando. Mesmo assim, ela deveria ter sido melhor trabalhada no início para ganhar mais força no último ato. De qualquer maneira, tira um pouco do gosto ruim até ali.

Na trama, um agente do FBI (Jason Statham) fica obcecado com um superassassino lendário (Jet Li) depois que seu parceiro é exterminado pelo criminoso. Sua chance de vingança surge quando o matador inicia uma guerra entre Chang (John Lone), o líder da máfia chinesa e Shiro (Ryo Ishibashi), chefe da Yakuza.
 
05052016 - IP MAN 3:
AVALIAÇÃO: REGULAR

Um dos filmes mais aguardados entre os fãs de ação e artes marciais já ganhou a luz do dia. Ip Man 3, continuação da franquia asiática de maior sucesso dos últimos tempos. Agora o famoso mestre tem de enfrentar um grande conhecido dos fãs de boxe. Mike Tyson.

Em Ip Man 3 quando uma gangue de bandidos brutais liderados por um promotor imobiliário (Tyson) começam a causar terror na cidade, o mestre Ip é forçado a usar toda sua habilidade para defendê-la.

Ip Man 3 mantém alguns padrões que fizeram a franquia ser tão querida entre os fãs, o principal é a linda fotografia e o design de produção. Os cenários de época dos vilarejos chineses são reproduzidos a perfeição, com detalhismo e muito respeito pelas tradições, assim como os figurinos, dignos de Oscar. Os ângulos são bem planejados, e o diretor Wilson Yip consegue captar com clareza cada movimento do filme, sempre com um estilo um pouco mais direto e próximo das cenas.

Se você espera ver grandes lutas no filme, as coreografias continuam sendo o ponto alto sim, e as lutas se utilizam bem da ótima edição de som para fazer tudo ficar mais tenso e realista, como nos acostumamos a ver na franquia. Porém, ter boas cenas de luta, não quer dizer que Ip Man 3 tenha cenas tão marcantes quanto os dois primeiros filmes. O longa repete demais algumas fórmulas que já vimos antes, parece que estamos vendo uma grande homenagem, a mais clara é a luta de Ip contra 10 homens, novamente. Uma citação direta ao primeiro filme, mas muito longe de ter o mesmo peso e beleza daquela cena clássica.

O filme, tenta desenvolver 3 tramas ao mesmo tempo, e aí começam os problemas, elas se confundem e parecem terminar na metade ou começar pela metade, não há lógica entre elas. A edição e montagem é ruim, e isso dificulta demais o entendimento do filme. As frentes da história são: A tentativa do promotor imobiliário de ganhar território, a ascensão de um novo mestre de Wing Xu e a relação entre Ip e sua esposa.

Por incrível que pareça, a trama mais singela que é a da relação de Ip e sua esposa é a mais bem desenvolvida, não vou dar spoilers, mas é o momento mais “Ip Man” desse filme, que mostra o estilo simples que sempre gostamos nas tramas de Ip. Vale ressaltar que Donnie Yen, que esse ano pode finalmente se tornar um grande astro nos Estados Unidos (participará do novo Triplo X e Star Wars) continua tendo total domínio do personagem, sem exageros de atuação, bem ao estilo chinês, consegue viver um drama muito melhor do que se espera dele.

Outro grande problema do filme são os vilões, muito mal desenvolvidos, pouco se consegue entender das motivações deles. O mestre de Wing Xu rival, começa de um jeito e muda completamente sem nada que justifique, simplesmente por um espírito de rivalidade que parece surgir do nada. Já o personagem de Mike Tyson, o promotor imobiliário, é infelizmente o personagem mais deslocado do filme. Sua presença na trama é confusa, e a dificuldade de atuar do ex-lutador deixa um certo clima de filme B (coisa que Ip Man nunca foi, por isso exigimos mais dele), algo que poderia ter sido remediado com uma direção melhor. Não dá pra ter certeza se cortaram cenas do Tyson (fica a impressão de que ele teria mais importância na ideia inicial) mas suas entradas são muito pontuais e quando finalmente acontece a tal luta entre Ip Man e Tyson, uma boa e diferente luta diga-se de passagem, se espera que o vilão vá ganhar espaço, mas pelo contrário, encerra suas atividades no filme como se tivesse um tempo limite para estar ali (literalmente).

A tão falada presença de Bruce Lee também deixa a desejar, aparentemente a briga da família Lee pelos direitos autorais prejudicou a trama. O personagem que representa Bruce Lee (digo representa, pois nenhuma vez o nome é citado), surge duas vezes durante o filme. Uma primeira aparição bem interessante e que deixa uma boa expectativa, já uma segunda bastante forçada, ambas sem peso para o contexto da história, mais como um “fã service” para quem estava ansioso por essa aparição, do que preocupação em mostrar a importância dele na história do mestre Ip.

052016 - O DESTEMIDO:

Su Qi-Er, um importante e competente general da dinastia Qing, decide se aposentar para realizar o seu sonho de se dedicar a família e de ter sua própria escola de artes marciais. Porém, os planos de Su são destruídos quando seu irmão adotivo, Yuan, tenta matá-lo e sequestra seu filho. Salvo por sua esposa e uma médica reclusa, Su resolve aperfeiçoar suas técnicas de luta para derrotar Yuan e reunir sua família novamente. Com a ajuda de um mestre considerado o “Deus de Wushu” e do excêntrico “Velho Sábio”, Su se torna um grande mestre e embarca em uma jornada que dará inicio a lenda do “Rei dos Mendigos

26042016 - O TIGRE E O DRAGÃO - A ESPADA DO DESTINO:

A Netflix está fazendo escola, mais uma superprodução digna de reconhecimento Hollywoodiano.

Yu Shu Lien (Michelle Yeoh) está de volta à ativa para evitar que a espada caia em mãos erradas. Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny é a continuação de O Tigre e o Dragão, premiado filme de Ang Lee cheio de saltos, lutas e Oscars - Melhor Direção de Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Direção de Arte e Melhor Filme Estrangeiro em 2001. Não é exagero nenhum afirmar que a continuação merece ao menos o Oscar de Melhor Direção de Fotografia, novamente.

Coproduzido pela The Weinstein Company, a sequência seria o primeiro filme original da Netflix, mas teve o lançamento adiado e perdeu o lugar para Beasts of No Nation. Assim como o drama de Cary Fukunaga, Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny será exibido em alguns cinemas IMAX nos Estados Unidos.

A trama se passa dezoito anos após a morte de Li Mu Bai, Yu Shu Lien (Michelle Yeoh) é chamada para ajudar a proteger a espada do destino. Forjada na dinastia Qin e repleta de detalhes esverdeados, ela possui a fama de ser a mais poderosa espada de sua época e é agora alvo de Hades Dai (Jason Scott Lee), um perigoso déspota local que envia o jovem Tiefang (Harry Shum Jr.) para roubá-la. O que ele não contava era que a espada seria também protegida por Snow Vase (Natasha Liu Bordizzo), uma jovem de passado misterioso, e Silent Wolf (Donnie Yen), que possui uma forte ligação com Shu Lien.

A história tem varias reviravoltas e personagens carismáticos e muito bem construídos, porém, mesmo conquistando o publico, não estão a salvo de um final trágico.

Assim como o primeiro filme, temos saltos exagerados, muita luta, cenas incríveis que ludibriam os telespectadores, excelentes efeitos especiais e uma excelente direção de fotografia. A paisagem natural da China e Nova Zelândia ajudam a deixar a experiência ainda mais incrível. Além de contar com um excelente sequencia de luta sobre um fina camada de gelo.

Yuen Wo Ping, coreografo das lutas e cenas de ação de ‘Matrix‘, foi o escolhido para a direção e não deixou nada a desejar em mais uma produção Netflix que vai dar o que falar.

26042016 - O MESTRE FALA:

25042016 - NAS GARRAS DE SHAOLIN:

 

Nas Garras de Shaolin (The Shaolin Avengers); Hong Kong, 1976; Elenco: Alexander Fu Sheng, Chi Kuan Chun; Direção: Chang Cheh. Fita da Shaw Bros. que funciona de certa forma como uma continuação de "O Templo de Shaolin", também de Chang Cheh, onde o astro Fu Sheng retorna na pele de Fong Sai Yuk (nas legendas a grafia muda), um histórico herói do período, ao lado de Chi Kuan Chun, numa parceria que rendeu vários filmes.
Ao contrário de vários clássicos do estúdio, "Vingadores de Shaolin" não é especialmente memorável, mesmo que tenha tudo o que se pode esperar de um filme de Chang Cheh, em um ritmo mais acelerado que o habitual, com pouco papo e muito sangue e pancadaria.

É cultuada até hoje especialmente pelo carisma de Fu Sheng (que, assim como Bruce Lee, morreu cedo e no auge da fama) e pelo bizarro destino final de seu personagem. Quando lançado em vídeo o título foi modificado para "Os Vingadores de Shaolin" este filme foi distribuido pela China Vídeo que manteve o título original do inglês mas, nos cinemas chegou como Nas Garras de Shaolin. Assisti a esse filme ainda criança em 1977 no cinema e possuo uma cópia do dvd lançado pela China Vídeo, naquela época os filmes de kung fu era uma febre mundial graças ao lendário Bruce Lee que deu o "ponta-pé" inicial a esse gênero de filmes. Foi um dos primeiros filmes de kung fu que assisti em toda minha vida e tornei-me fã de Alexander Fu Sheng, apesar do final meio bizarro, tem boas cenas de luta e uma fotografia excelente! Muitos críticos acham o filme mais fraco do diretor Chang Cheh, acho que deve ser porquê o filme todo é mostrado em fhasback o que de certa forma, tira um pouco a empolgação do espectador.

Assistir a esse filme hoje remasterizado é uma delícia é voltar ao tempo de infância nas matinês de domingo quando saia de casa para o cinema comprava o ingresso, sentava na poltrona e esperava impacientemente o início da sessão (que sempre lotava) ai sim, meu domingo estava completo! Para quem até hoje gosta desse estilo de filmes deixo aqui uma relação de verdeiras preciosidades do gênero com Alexander Fu Sheng: Cinco Mestres de Shaolin; Os Discípulos de Shaolin; Dois Heróis; Nacha, the Great; Shaolin Archer; O Templo de Shaolin; As Artes Marciais de Shaolin; Armas Lendárias da China; Gato e Rato; Os 10 Tigres de Kuantung

15032016 - KUNG FU O FILME:

Filme foi um filme para TV de 1986, o primeiro de uma série que deu continuidade à história do monge Shaolin Kwai Chang Caine, que
foi introduzido na TV no período l972-l975 com a série Kung Fu. Neste filme,o ator Brandon Lee fêz sua debut, inclusive o filme foi ao
ar em 1986, no dia do aniversário de 21 anos deste ator. No desenrolar do filme, Caine encontra um velho solitário que lhe traz muitas surpresas, sendo a primeira a destruição da ordem Shaolin. Caine, mestre de artes marciais, luta contra um demoníaco Mestre Manchu
em função de antigos problemas sobre drogas.

01022016 - A HORA DO ACERTO:

Para a gangue dos 5 tudo é um videogame: matar policiais, armar emboscadas e criar requintes de crueldade. Quem se torna vítima de suas armadilhas é o inspetor de polícia Wing (Jackie Chan) e todo o seu time de policiais que são brutalmente assassinados. Após a matança, um jovem novato cheio de energia é designado para ajudá-lo. Mas, a Gangue dos 5 volta a agir iniciando uma aventura cheia de ação e vingança.

01012016 - A LENDA DO MESTRE CHINÊS:

Em um mundo de fantasia, habitado por criaturas fantásticas e monstros, um homem chamado Fa Hai (Jet Li) tem uma missão muito importante: manter os demônios longe da humanidade a todo o custo. Hai é um mestre das artes marciais e um poderoso feiticeiro, vindo do Templo Jinsham, e viaja o mundo fazendo muito bem o seu trabalho. Quando o jovem curandeiro Xu Zian (Raymond Lam) está coletando ervas na montanha, conhece uma linda jovem (Eva Huang) por quem se apaixona. Porém, a bela jovem é uma Serpente Branca, um demônio metade humano, metade cobra, que vive com sua irmã, uma Serpente Verde. Do amor proibido entre os dois pode surgir o desequilíbrio das forças que regem o mundo e Fa Hai, junto de seus aliados, fará o impossível para evitar que isso aconteça.

22122015 - O GRANDE MESTRE 2 - COM DONNIE YEN:

 

O filme é uma sequência ao filme de 2008 "Yip Man" (ou "Ip Man"), e baseado na vida de um dos maiores mestres das artes marciais Wing Chun (ou Ving Tsun).
Após os eventos do primeiro longa, a sequência centra nos movimentos de Yip em Hong Kong enquanto ele tenta propagar sua disciplina de Wing Chun e encontra rivalidade com o mestre local de Hung Ga.
O filme também mostrará o jovem Bruce Lee, que mais tarde se tornaria o mais famoso discípulo de Yip Man.

21122015 - O GRANDE MESTRE 1 - COM DONNIE YEN:

Ip Man é adaptado a partir da história de vida Ip Man, o grande mestre do estilo de Wing Chun Kung Fu e Sifu (mestre) da lendária estrela de kung fu, Bruce Lee. Wing Chun tem uma história de mais de 200 anos. Foi fundado por Yim Wing Chun, teve origem nas mãos de Leung Chun, e prosperou com Ip Man. A arte de Wing Chun tornou-se muito popular entre os adeptos das artes marciais, especialmente no ultramar. É uma arte marcial tradicional chinesa com uma formidável reputação internacional. Até esta data não tem havia tido filmes sobre Ip Man. Este filme será o primeiro registro importante da vida do mestre. A persistente devoção de IP ao Wing Chun é um exemplo clássico de amor e respeito demonstrado que Wushu e da liberdade e do espírito que ela representa. Ip Man é um conceito, um espírito, uma maneira de pensar - e que representa um novo pico em Hong Kong’s nos filmes Wushu.

21122015 0 GRANDE MESTRE - 2015 - DUBLADO:
Wong Kar Wai volta às artes marciais em mais um filme de memórias e reencontros
17/04/2014 - 1:08 Marcelo Hessel

"Não é porque você não o vê que algo deixa de existir", diz o pai para a sua filha quando a leva em um bordel onde se reúnem mestres de artes marciais em O Grande Mestre. Coisas que já não se veem mas que persistem à nossa frente, como reminiscências, são recorrentes nos filmes do cineasta chinês Wong Kar Wai (2046), e não é diferente neste seu retorno às artes marciais, quase 20 anos depois do seu único filme no gênero, Cinzas do Passado, de 1994.

É mais um filme de época, como também é comum com Kar Wai, o que lhe permite evocar - por meio da história de Ip Man (1893-1972), o lendário mestre de Wing Chun que foi o mentor de Bruce Lee - memórias pessoais (imagens de infância, a câmera frequentemente em torcicolo ou entrando por frestas, como uma criança alcançando com o olhar o mundo dos adultos) e fantasmas culturais (de novo a cisão entre China e Hong Kong, Norte e Sul, relação que nos filmes do diretor se traduz em amores inviáveis e eternos reencontros).

Os reencontros em O Grande Mestre têm como pano de fundo os últimos anos da República antes da Segunda Guerra Mundial e da invasão japonesa, e a consequente guerra civil. Ip Man (interpretado por Tony Leung) dissemina o Wing Chun enquanto seu caminho se cruza com outras escolas e famílias do kung fu. Kar Wai passou dois anos montando o filme para cortar material e chegar à duração final de duas horas; nesse processo algumas subtramas parecem incompletas, como a de "Razor" (Chang Chen), e O Grande Mestre termina sendo mais um painel que tende a se ampliar do que uma biografia em linha reta.

É em traçar painéis que Kar Wai se especializa, de qualquer forma, e o roteiro deste filme adota um recurso mais "literário" - os personagens falam em off frequentemente e parte das viradas na trama é explicada em cartelas - para tentar firmar imagens que não sejam narrativas e sim evocativas. É como se O Grande Mestre transcorresse como uma história oral - que como toda história oral tende ao efêmero, a perder o foco, a se diluir - em que o valor está no testemunho. Estar presente na fotografia oficial do clã, ou assistir ao vivo a uma demonstração de kung fu, são em si as verdadeiras lembranças dignas de serem contadas.

O cineasta faz assim uma bela - e estilizada, e de Kar Wai não se esperaria outra coisa - homenagem não apenas a Ip Man mas ao gênero como um todo, naquilo que o filme de artes marciais tem de essencial, que é a plasticidade do movimento. O Grande Mestre é um filme obcecado por registrar e eternizar no instante esses movimentos, os golpes e seus efeitos. Como uma fotografia mesmo, que já se torna sépia no momento seguinte, mas vai permanecer colorida, barroca, na memória de quem a testemunhou.

21122025 - O HOMEM COM PUNHOS DE FERRO:
AVALIAÇÃO:

 

Na abertura de O Homem Com Punhos de Ferro, o ferreiro vivido por RZA explica que, para forjar uma arma, são necessários três elementos: o metal correto, temperaturas acima de 1400 ºC e alguém com vontade de matar - exigências existentes na Aldeia Jungle, local onde a história se passa. Quando o assunto é a produção de um bom filme, porém, não há uma fórmula simplista como essa; quanto maior a harmonia entre os vários aspectos de produção, maiores são as chances de um resultado final satisfatório, independente da experiência dos profissionais envolvidos. Infelizmente, estreando em metade das funções que assume, o cantor RZA não consegue produzir uma obra coesa e cativante o bastante para fomentar suas múltiplas carreiras no Cinema.

Como roteirista, RZA já começa mal pela escolha da parceria: co-escrito por Eli Roth (O Albergue), o filme acompanha um sem número de personagens interessados em um carregamento de ouro do Governador (Terence Yin) prestes a atravessar Jungle Village, uma aldeia chinesa do século XIX. Depois que o Leão de Ouro (Kuan Tai Chen) - chefe do clã responsável pelo carregamento - é traído e assassinado, seu filho Zen Yi (Rick Yune) retorna ao vilarejo para vingá-lo, ao mesmo tempo que o cavalheiro inglês Jack Knife (Russell Crowe) chega ao local com intenções misteriosas e se hospeda no bordel da cafetina Madame Blossom (Lucy Liu). Todos eles - incluindo ainda os clãs dos Leões e Hienas ou o casal de Gêmeos Assassinos - acabam cruzando com o Ferreiro (RZA), um negro que economiza para comprar a liberdade da prostituta Lady Silk (Jamie Chung) e cuja absurda presença naquele contexto histórico é justificada através de um longo e desnecessário flashback.

Os dois primeiros terços do filme tratam-se, na verdade, de meras apresentações dos personagens que se envolverão no aguardado confronto final e dos cenários (como o bordel Pink Blossom) que sediarão a disputa. Criando suspense em torno da identidade de um sujeito encapuzado (cuja revelação é tão ineficaz e desestimulante quando o mistério), o filme apresenta embates dotados de coreografias avessas às leis da gravidade e inventivas, mesmo que pouco práticas - e embora a cooperação entre os Gêmeos resulte em movimentos estilosos, é impossível ignorar que vários dos golpes seriam mais eficazes caso os irmãos lutassem separados e usassem a cabeça (porque o homem não retira a arma da bainha da irmã para disparar, ao invés de apontar a perna da mulher na direção de seus alvos?). E enquanto a trilha (composta e produzida também por RZA, em parceria com Howard Drossin) peca pelo uso de hip hops que não se encaixam bem e por abusar do caráter lúdico em determinadas lutas, os diálogos concebidos pelos roteiristas impressionam pela pobreza e pela estupidez: quando o Ferreiro presenteia a amada com uma pulseira e lhe explica que a quantidade de pedras do acessório faz referência à circunferência da Terra (!), a mulher responde com um sincero "Tão esperto!" que confirma a natureza peculiar do conceito de esperteza de RZA e Eli Roth.

Já na direção, RZA não se sai muito mal. Obviamente inspirado por Quentin Tarantino (que "apresenta" o filme, isto é, permite que seu nome seja estampado no pôster para atrair público) - influência que fica evidente tanto na tipografia dos créditos iniciais ou na escolha do elenco (com Lucy Liu, Pam Grier e, especialmente, Gordon Liu praticamente reencarnando seu icônico Pai Mei) quanto no uso indiscriminado e equivocado de telas divididas no ato final -, o diretor tenta criar uma homenagem a filmes de artes marciais semelhante à feita em Kill Bill, mas é substancialmente sabotado pelo próprio roteiro. Embora se exceda em alguns momentos (como no desajeitado uso de grua para ressaltar a beleza natural de uma caverna usada como locação), RZA até sabe para onde apontar a câmera, registra de forma pouco confusa as lutas e cria planos esteticamente belos (esguichos de sangue ou dispersão de material particulado em câmera lenta costumam facilitar esse trabalho), mas não consegue conferir ritmo a uma narrativa com pouca história pra contar ou injetar urgência, por exemplo, nos confrontos envolvendo o vilão Brass Body (Dave Bautista), cuja invencibilidade é comprovada desde sua primeira aparição e implica em um desfecho obviamente arbitrário.

Um dos maiores problemas do filme, porém, é a tentativa desastrada de transformar o personagem do Ferreiro em uma figura icônica, empurrando-lhe à força o cargo de protagonista no terço derradeiro do longa - o que nos leva, finalmente, ao trabalho de RZA como ator, que compromete de vez o filme. Sua notável falta de talento e expressividade destoa sensivelmente do restante do elenco - e quando seu personagem tem os braços cortados, o impacto é anulado pela impressão de que RZA parece muito mais entretido com a chance de brincar de Cinema do que preocupado em produzir uma obra atraente.

Com uma narração cujo mau gosto é evidenciado e extremado pelo uso da locução conjuntiva "Enquanto isso..." e povoado por personagens cujos nomes tentam alcançar um divertimento calcado na mais pura obviedade, O Homem Com Punhos de Ferro é uma obra vazia cujo divertido clímax não é capaz de compensar os aborrecidos eventos que o antecedem ou, especialmente, de estabelecer RZA como um artista multifacetado.

20122015 - NO CORREDOR DA MORTE
AVALIAÇÃO: 3,2

 

Bem-vindos a Alcatraz. "A Rocha" está reaberta e o primeiro criminoso designado para morrer na cadeira elétrica guarda um segredo de 200 milhões de dólares. Mas um grupo de invasores (liderados por Morris Chestnut) não vai deixar essa fortuna desaparecer. O disfarçado agente do FBI em Alcatraz, Petrosivitch (Steven Segal) tem que controlar a situação e resgatar uma agente da Suprema Corte de Justiça mantida como refém. Ainda pior do que isto, ele precisa convencer seu "parceiro" (Ja Rule) e os outros presos a lutar do lado da lei.

29112015 - A KAGEMUSHA - A SOMBRA DO SAMURAI
AVALIAÇÃO: 4,7

Filme de Kurosawa fala sobre disputa pelo poder no Japão do século 16

 

"Kagemusha - A Sombra do Samurai" teve produção difícil. Apesar de sua importância para a história do cinema mundial, Kurosawa ouviu negativas de diversas produtoras japonesas, o que explica a terrível decadência que a cinematografia do país enfrentou desde o final dos anos 1960.

Somente quando foi aos EUA, onde encontrou George Lucas e Francis Ford Coppola, admiradores de seu trabalho, a produção do filme tornou-se uma realidade. Os dois jovens diretores da Nova Hollywood conseguiram um adiantamento da Fox em troca dos direitos de distribuição internacional, o que incentivou a Toho, produtora japonesa que já havia realizado filmes de Kurosawa, a entrar de vez no projeto, cobrindo os custos restantes. Nasce, assim, um monumento inesquecível de três horas sobre a disputa pelo poder entre três senhores feudais no Japão do século 16.

O senhor Shingen comanda o clã dos Takeda com firmeza, determinação e uma boa dose de violência. Sua presença, "imóvel como uma montanha", diz o estandarte dos Takeda, garante a força que seus comandados precisam nas batalhas. Mas ele é ferido gravemente, num momento de lazer e descuido. Sua morte iminente enfraqueceria o clã, deixando-o vulnerável às ambições de seus maiores inimigos, os senhores Ieyasu e Nobunaga. A solução é usar um sósia no lugar de Shingen, escondendo a morte até mesmo de seus comandados. O sósia seria um ladrão condenado à crucificação (sim, tempos feudais).

Aos poucos, o que é bem típico de Kurosawa, percebemos que o sósia não apenas imita, mas acredita ser o próprio senhor Shingen. Essa crença, que muitas vezes se assemelha mais a uma possessão, será um agravante na crise que se instalou na nação, cada vez mais dividida.

O grande historiador de cinema Donald Richie contesta a escalação de vários atores, inclusive a de Tatsuya Nakadai no papel duplo do Senhor Shingen e do sósia. Com todo o respeito a Richie, é difícil enxergar as deficiências que ele aponta no grande ator, que já havia trabalhado com Kurosawa, mas nunca como protagonista. Tatsuya Nakadai é excessivamente teatral, segundo Richie, mas é impossível imaginar um outro ator no papel. Bem, talvez Toshiro Mifune, mas Kurosawa tinha brigado com ele durante as filmagens de "O Barba Ruiva" (1965), e se recusava a contratá-lo novamente.

As atuações combinam com a opulência que marca "Kagemusha", um dos longas mais controlados e estruturados do mestre. O uso das cores mostra sua habilidade pictórica. Céus vermelhos ou incrivelmente alaranjados temperam as cenas de batalha. Em uma cena de pesadelo, o sósia se perde num cenário fauvista que lembra as telas mais berrantes de André Derain. Nas batalhas, aliás, reside uma boa dose de mistério, em que ora o inimigo é ocultado, ora a própria ação.

A versão lançada agora em DVD é a japonesa, integral, não a que a Fox remontou, com a aprovação de Kurosawa, para a distribuição internacional, com 17 minutos a menos. O relativo sucesso mundial de "Kagemusha" recuperou o diretor diante da indústria japonesa e possibilitou a produção de "Ran", mais uma obra-prima, cinco anos depois.

22112015 - AZUMI 2:

Azumi continua a sua grande aventura nessa produção que segue a linha do primeiro filme, com direito a uma boa história e cenas de ação da melhor qualidade, com brigas de espada habilmente coreografadas. É inspirado em um famoso jogo do videogame PS2. Dessa vez, Azumi, armada com a sua espada, parte para a mais difícil batalha de sua vida. Munida com muita coragem e habilidade, ela vai brigar até o final para preservar a unidade nacional e manter a paz no Japão.

22112015 - AZUMI 1:

Uma guerra no Japão faz com que o país seja devastado. Desesperado em restaurar a paz, Tokugawa Shogun, líder de um clã, ordena o assassinato de um comandante inimigo. Para realizar a tarefa é selecionada Azumi (Aya Ueto), uma jovem e bonita mulher que foi selecionada ao nascer, juntamente com outros 9 órfãos, para se tornar uma assassina.

102015 - FÚRIA SILENCIOSA - DUBLADO:
AVALIAÇÃO: 2,7

Chuck Norris, seis vezes campeão mundial de Karate, estrela em seu primeiro filme de suspense como o durão xerife de uma pequena cidade do Texas aterrorizada por um assassino psicótico. O delegado Stevens (Norris) enfrenta o dilema de deter o invencível assassino, concebido virtualmente através da engenharia genética. Um jovem grupo de pesquisadores é o responsável por desenvolver um soro geneticamente modificado e a chefia do instituto de pesquisas está determinada a continuar a experiência, sem se importar com as consequências. Norris aparece em lutas espetaculares, enfrentando sozinho uma dúzia de brutais motociclistas, enquanto revela seu lado mais charmoso, ao reatar um antigo romance com Alison Halman (Toni Kalem), uma pesquisadora do instituto. Aventura e romance são o pano de fundo, enquanto Norris combate o assassino.

121023015 - CHENZHEN A LENDA DOS PUNHOS DE AÇO - DUBLADO:
AVALIAÇÃO: 4,4

Sete anos após a morte aparente de Chen Zhen, que recebeu um tiro depois de descobrir o responsável pela morte de seu professor na Shangai ocupada pelos japoneses, um estranho misterioso chega do exterior e faz amizade com um chefe da máfia local.
Esse homem é Chen Zhen disfarçado que pretende se infiltrar na máfia enquanto eles fazem uma aliança com os japoneses.
Disfarçado como um lutador encapuzado, Chen intenciona pegar todos os envolvidos, bem como colocar as mãos na lista de assassinatos preparada pelos japoneses.

11102015 - NINJA ASSASSINO - 2010 - DUBLADO:
AVALIAÇÃO: 3,5

Embora os fãs mais exigentes de artes marciais possam se decepcionar um pouco com o fato de todas as lutas acontecerem na escuridão da noite e, portanto, com suas coreografias pouco visíveis e apreciáveis.

De qualquer forma, a trama é bem armada para o gênero: em Berlim, a investigadora forense Mika (Naomie Harris) descobre que clãs milenares de guerreiros ninjas - talvez - pudessem estar em ação até os dias de hoje, vendendo seus serviços de assassinatos profissionais para governos totalitários, literalmente, a peso de ouro. Apostando fundo em suas investigações, os caminhos de Mika se cruzam com os de Raizo (vivido pelo astro sul coreano que se assina apenas como Rain), rapaz que desde criança se submeteu aos mais rígidos e violentos treinamentos ninja, mas que agora... bem, é melhor não falar mais nada para não estragar o que acontece depois. Para isso, já existem os trailers.

Alternando as cenas atuais com flashbacks, o roteiro propõe que o público vá, aos poucos, montando em sua mente o quebra-cabeças da história. Nada muito complexo, mas o recurso se mostra eficaz o suficiente para manter o interesse pela trama. Neste sentido, provavelmente visando o espectador mais desatento, o diretor reservou uma cena especial que chega a ter seu humor: durante uma fuga, Mika diz a Riazo: "Deixa ver se eu entendi direito...", e começa a explicar tudo o que aconteceu até então, caso o espectador não esteja prestando muita atenção ou tenha saído para comprar pipoca. São concessões comerciais compreensíveis para o gênero.

O nível técnico de produção de Ninja Assassino é dos mais satisfatórios, com pirotecnia, fotografia, cenografia, edição e efeitos de bom nível. E não por acaso: entre seus produtores estão Joel Silver e os irmãos Wachowsky, responsáveis, entre outros, pelo sucesso da franquia Matrix.

Mesmo sem ser fora de série, Ninja Assassino é um filme corajoso, nestes tempos em que os estúdios de Hollywood preferem investir em personagens previamente conhecidos de outras mídias. Trata-se de um material original, desenvolvido para o cinema, não baseado em histórias em quadrinhos, nem em seriados de TV, nem em livros de sucesso. Se der certo, aí sim, as aventuras de Raizo podem vir a ser um seriado de televisão ou uma franquia de cinema. As bilheterias dirão sim ou não.

Como entretenimento funciona bem.

BRADDOCK 1 - O SUPER COMANDO:
AVALIAÇÃO: 2,2

Soldados americanos ainda estão sendo mantidos como prisioneiros no vietnã – e cabe a um homem trazê-los para casa, nesta aventura de ação estrelando o superstar das artes marciais Chuck Norris. Após ousada fuga de um campo de prisioneiros no Vietnã, o Coronel das Forças Especiais James Bradock (Chuck Norris) parte em missão para localizar e resgatar os recrutas desaparecidos remanescentes. Com a ajuda da bela funcionária do Departamento de Estado (Lenore Kasdorf) e de um ex-colega do Exército (M. Emmet Walsh), Braddock reúne informação altamente confidencial e armamento de última geração. Agora este exército de um homem só está preparado para invadir o Vietnã… mas será que ele conseguirá voltar?

11102015 - BRADDOCK 2 - O INICIO DA MISSÃO:
AVALIAÇÃO: 2,5

A história antecede o primeiro filme mostrando a captura do coronel Braddock durante a Guerra do Vietnã. Junto a outros soldados, é forçado a trabalhar em plantações de ópio para traficantes em um campo de prisioneiros. Mas Braddock fará de tudo para fugir e resgatar seus companheiros.

10102015 - BRADDOCK 3:
AVALIAÇÃO: 2,5

 

Saigon, 1975 O Coronel James Braddock deixou para trás mais do que recordações: seu filho. E está vivo ! Agora... 12 anos depois, não é só um soldado perseguindo o inimigo, é um pai procurando pelo filho. Até que descobre uma geração ignorada. Os órfãos de uma guerra esquecisa. Agora Braddock está numa heróica missão de clemência. Está lutando por todo mundo que não pode revidas. E que ninguém se ponha em seu caminho. Eu tiro do caminho! Fechando com chave de ouro a trilogia Braddock.

07102015 - OLHO POR OLHO
AVALIAÇÃO: 2,9

Sean Kane (Chuck Norris) se aposenta da polícia de São Francisco após o assassinato de seu parceiro, passando a enfrentar o crime por conta própria, o que o leva a investigar uma rede de tráfico de drogas. Com o grande Sir Christopher Lee (1922-2015), onde ele faz o vilão.

02102015 - TRILOGIA SAMURAI X
AVALIAÇÃO: 4,5

10102015 - 13 ASSASSINOS
AVALIAÇÃO:

Um grupo arma um plano para emboscar Sir Doi e seus homens em uma cidadezinha e traça preparativos para enfrentá-lo junto com seus 70 homens. Porém o ardil é descoberto por uma família samurai rival, que fortalece a proteção à Sir Doi com mais 130 guerreiros. Assim, os 13 Assassinos do filme precisam encarar nada mais, nada menos que 200 guerreiros em um combate até a morte.

A primeira metade do filme é lenta, com tomadas paradas e bastante abertas; e cobre todos os esquemas e maquinações políticas que precisam ser feitas até os samurais traçarem seu plano, incluindo o forjar de alianças e subornos. Vemos o recrutamento de um samurai por vez e entendemos que o Japão vive há anos um período de paz, no qual a função do guerreiro se perdeu. Samurai algum já esteve em uma batalha, nem entre os protetores de Sir Doi, nem entre os Assassinos. A chegada de um Ronin que se junta ao grupo os fortalece sobremaneira e o expectador começa a se preparar para o que será um banho de sangue.

A produção construiu uma cidade inteira (à maneira que era feito antigamente, em filmes como Conan – o Bárbaro), apenas para destruí-la por completo durante as filmagens. Não dá para não se impressionar com as cenas de luta, absolutamente perfeitas. Não há poesia, apenas a crueza da batalha. Não espirra sangue em CGI ou câmeras lentas como em 300 e suas crias; a função da batalha é ser o mais vibrante e real possível. Os Assassinos partem para a morte, mas não perdem o senso de estratégia e o motivo maior de sua missão. Para eles, fracassar, significa lançar o mundo em uma Era de Caos. Se Sir Doi viver e tomar parte no Conselho do Shogun, tudo estará perdido.

01102015 - O REINO DOS ASSASSINOS:
AVALIAÇÃO:

Na antiga China, Zeng Jing (Michelle Yeoh) é uma assassina habilidosa que se encontra na posse da metade dos restos de um monge místico budista. Diz a lenda que quem possuir todos os seus restos mortais se tornará o maior lutador de kung-fu da China. Ela inicia, então, uma jornada para devolver os restos em seu lugar de repouso, abandonando seu grupo de assassinos e tentando ter uma vida normal. Mas, ao mesmo tempo, Zeng coloca-se em perigo, pois uma equipe de assassinos está em perseguição para possuir estes restos mortais e o seu segredo de poder.

30092015 - KUNG FU KILLER:
AVALIAÇÃO:

No elenco do filme estão os atores Donnie Yen, Charlie Yeung, Baoqiang Wang, Kang Yu e mais. O lançamento no ocidente está agendado para 24 de Abril de 2015 nos cinemas dos Estados Unidos.
Um assassino em série vicioso está mirando melhores mestres de artes marciais, e mestre criminoso e kung-fu condenado Hahou ( Donnie Yen ) é o único com as habilidades para detê-lo.
Libertado da prisão e sob custódia da polícia, eles logo têm suas dúvidas sobre a verdadeira lealdade de Hahou após uma série de acontecimentos misteriosos. Caçado por um assassino imparável (Baoqiang Wang) e toda a força policial, Hahou encontra-se em sua própria luta contra dois inimigos, levando-o a uma batalha final eletrizante.

 

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