BATMAN E OUTROS PERSONAGENS DE HQs:

 

09062015 - MORRE ADAM WEST:


KATO, O BESOURO VERDE, BATMAN E ROBIN.

O ator americano Adam West, conhecido por interpretar o super-herói Batman na série de TV dos anos 1960, morreu nesta sexta-feira em Los Angeles aos 88 anos de leucemia, informou neste sábado (10) sua família em um comunicado. Informações da agência de notícias EFE.

Seus entes queridos destacam na nota que West sempre "aspirou ter um impacto positivo nas vidas de seus seguidores" e, acrescentam, "sempre será o nosso herói".

West faleceu cercado de sua família e deixa a mulher, Marcelle, seis filhos, cinco netos e dois bisnetos.

O sucesso como Batman dificultou as chances de West de conseguir outros papéis, já que ficou para sempre associado a seu popular personagem.

No entanto, continuou trabalhando durante toda a sua carreira e novamente alcançou a fama como a voz do prefeito de Quahog, também chamado Adam West, na série animada Uma Família da Pesada.

No cinema, West atuou nos filmes O Moço da Filadélfia (1959) e Robinson Crusoé em Marte (1964), além de trabalhar na dublagem da animação Redux Riding Hood (1997), indicada ao Oscar de melhor curta-metragem.

Em fevereiro de 2016, a série The Big Bang Theory comemorou seu episódio de número 200 e lembrou o 50º aniversário de Batman com uma aparição de West.

15042017 - NOVO LIVRO EM QUADRINHOS DO PUNHO DE FERRO:

06022017 - A WARNER TRAZ DE NOVO OS 4 FILMES DO BATMAN:

10092016 - BATMAN A PIADA MORTAL:

Batman: A Piada Mortal é baseado no quadrinho de mesmo nome criado por Alan Moore e Brian Bolland, que mostra a origem do Coringa (Mark Hamill). Um homem que acabou se perdendo num dia ruim, o horror que ele causou a Batgirl (Tara Strong) e o confronto definitivo que isso levou com o Batman (Kevin Conroy).

Primeiramente eu tenho que dizer que estava ansioso para ver essa animação. A Piada Mortal é uma das minhas histórias de quadrinhos favoritas. O modo como Alan desenvolve o Coringa através do tom que Brian dá é tão tenso, que eu me vi pensando no quadrinho mesmo depois de ter acabado. Para mim as melhores histórias são assim. Elas nos fazem pensar em tudo que vimos e refletir um pouco.

Infelizmente não foi o caso com essa animação. Pareceu que eu estava vendo dois filmes ao mesmo tempo, com os primeiros 28 minutos do filme uma introdução para a Batgirl. Os produtores optaram por focar mais na personagem com o objetivo de nos fazer se envolver mais com ela. Algo completamente válido se pensarmos na importância que ela tem na trama.

No entanto, essa introdução não foi bem feita. Ela simplesmente não combinou com o resto do filme, que pula para um foco no relacionamento do Batman e do Coringa. Até o tom muda um pouco e realmente você fica com a sensação de que está vendo duas partes distintas que simplesmente não funcionam juntas.

Me dói dizer que você devia pular os 28 minutos. Vai gostar muito mais da animação se fizer isso, porque é na metade a diante que as coisas realmente começam a pegar fogo e vemos um lado do Coringa que muitos ainda não conheciam. É até difícil não se envolver com cada estágio de sua transformação, através dos flashbacks.

O uso do material original para explorar a tensão foi muito bem colocado, com algumas cenas sendo refeitas exatamente pedaço por pedaço, mesmo que ás vezes os problemas visuais da animação se tornavam um tanto óbvios. O talento das vozes de nosso elenco ajudou muito a equilibrar os erros, dando mais peso ao confronto que estava sendo tão preparado.

Eu queria mesmo que a animação fosse apenas os 45 minutos restantes. Sei que isso não é exatamente um filme e mudanças são mais do que bem vindas quando falamos de adaptações. Querendo ou não, tem certas coisas que funcionam num filme do mesmo modo que numa HQ, mas acho que muitos vão concordar quando digo que essa introdução atrapalhou o desenvolvimento das coisas.

Eles poderiam muito bem ter usado o começo para dar mais peso ao relacionamento do Homem Morcego e seu eterno inimigo. Seria incrível vê-lós explorando mais os temas que introduziram.

26072016 - CRÍTICA: A BAGUNÇA QUE É "BATMAN VS. SUPERMAN":
Por André Costa

Quando a filosofia heróica conflitante de Batman e Superman chega ao limite e Os Vingadores atinge mais de um bilhão e meio de dólares em bilheteria, a DC/Warner decide que é hora de jogar suas duas principais marcas uma contra a outra e, da fissão resultante, partir para um filme da Liga da Justiça.

Sabe quando sua mãe te obriga a ligar para aquele primo com quem você não fala há anos para dar os parabéns por alguma coisa? Batman vs. Superman: A Origem da Justiça segue pelo mesmo caminho: não é o filme que a DC/Warner queria fazer, não é o filme que precisavam fazer, mas é o filme que se sentiram obrigadas a fazer. Com o universo fílmico da Marvel já na linha das 80 jardas, a turma do Superman decidiu apertar o passo para tentar competir e o resultado é uma produção apressada num engavetamento de sequências que não consegue ser efetivamente uma história contada de forma satisfatória – algo recorrente na filmografia de Zack Snyder, o fanfarrão.

Afinal, essa produção precisava, ao mesmo tempo: reapresentar o Batman (já que no Batman do Nolan não havia espaço para Supermans e Mulheres Maravilhas), retomar os eventos de Homem de Aço, criar um motivo para o homem-morcego ir atrás do Super-Homem, criar um motivo para este querer transformar a cara do Batman em diamante, narrar toda a trama de Lex Luthor, inserir a Lois Lane para justificar o contrato da Amy Adams, apresentar a Liga da Justiça, e, mais importante, pancadaria. Não há espaço para arcos dramáticos ou desenvolvimento de temas interessantes, mesmo com as inchadas 2h40 de duração.

É muita informação e o pouco espaço que sobra é desperdiçado por alucinações/sonhos vívidos/devaneios/flashbacks que só vão fazer sentido em outros filmes (como a do deserto), diálogos constrangedores (“você voou perto demais do sol“, “ding ding ding ding“) e conflitos vazios como um pastel de rodoviária (os questionamentos de Batman e Superman sobre seus próprios caminhos duram menos do que um tweet, e temas bacanas como a influência do Superman na política externa são abandonados assim que cumprem sua função básica). Tudo é muito rápido. Tem muita coisa acontecendo e as tramas não se conectam de forma orgânica, não há uma linha narrativa que dê para seguir com a confiança de saber o que está rolando. Na ânsia de querer condensar tudo em um só lugar, Batman vs. Superman é atropelado pela sua própria história.

Não ajuda também que o objetivo de Snyder seja atingir a megalomania total e definitiva, já que todas as cenas querem se mostrar incrivelmente importantes, grandiosas, épicas, olímpicas, como se o filme fosse todo composto de momentos pensados para o trailer – sempre há um plongée, um olhar para o horizonte, alguma frase de biscoito da sorte pipocando para garantir que tudo é significativo e nada é apenas uma cena entre outras duas. E digo algo importante: Snyder não sabe contar uma história, ainda mais a partir desse texto fraco de Chris Terio e David S. Goyer. Ponto. Não sabe que o espectador precisa se identificar com alguém na telona.

A trama é exposta de forma trôpega (só ver que a função de Lois no filme é puramente operacional: ser o veículo para o Super expor pensamentos e sentimentos e atrair a atenção dele em momentos importantes, para depois ser abandonada onde estiver), frequentemente ignorando detalhes (como o Homem de Aço sabia que o plano do Batman era pegar aquele objeto?) e partindo para soluções mixurucas (chega ao ponto de Alfred já ter “escutado uma conversa” e realizado todo o trabalho detetivesco só para economizar tempo) ou dando um tapão na mesa e dizendo “todo mundo cala a boca agora que eu quero falar da Liga da Justiça”. Como se não bastasse, o humor completamente deslocado parece ter surgido apenas porque “é blockbuster e blockbuster tem que ter humor, bota uma piadinha ali em qualquer lugar porque rende”.

A película, claro, é bem produzida, embora alguns bonecos digitais estejam beirando os 16 bits. Mas o visual do Batman é provavelmente o mais legal de todos os filmes da personagem, e há de se elogiar uma equipe que coloca um sujeito vestindo um collant azul no meio de pessoas normais sem que isso soe ridículo. Além disso, Batman vs. Superman consegue criar um pouco de tensão na luta entre os dois protagonistas, o que já é um feito considerando que um deles poderia acabar com o outro com a mesma quantidade de esforço que Chris Terio e David S. Goyer usaram na construção do roteiro (e um momento em particular é bem intenso, usando a pista-recompensa de forma eficiente para determinar como as coisas acontecem).

Entretanto, Snyder começa a babar e a tremer e se se injeta sequências em câmera lenta para alimentar o vício, mas sem ser capaz de construir uma coreografia de batalha empolgante e que não pareça um amontoado de pixels, brilhos e estrondos envoltos em uma nuvem de poeira e detritos. Todo o terceiro ato é basicamente uma interminável fase de videogame, na real. É quase impossível distinguir uma cena da outra, a não ser pela aparição da Mulher Maravilha, que certamente surge apenas como teaser para o seu próprio filme.

Contrariando todas as expectativas, Ben Affleck cumpre bem as funções morceguísticas, ilustrando com eficiência a raiva e a frustração que dominam o homem-morcego, embora sua contribuição ao filme pudesse ter sido muito maior se tivesse dado um golpe de Estado e assumido a direção. Henry Cavill, por outro lado, mantém o Superman sempre na ionosfera e não consegue aproximar o homem de aço de qualquer tipo de identificação que não seja com um bloco de concreto (tenho muito medo desse Superman dele. Não há nenhum componente remotamente humano na personagem, o que deveria ser sua principal característica).

O resto bate o ponto ali e vai embora, com um pouco de destaque para o magnestimo de Jesse Eisenberg (que exagera de vez em quando, mas, no geral, transforma Luthor no Mark Zuckerberg da DC) e o o momento onde ele mostra fotos como se fossem cartas de baralho – o ás na manga – é brilhante. Já Jeremy Irons tem carisma, mas não sobre quase nenhum espaço para desenvolver seu jovial Alfred. Sem praticamente nenhuma tarefa no roteiro a não ser parecer dissimulada, Gal Gadot não pode fazer nada além de mostrar que interage bem com os colegas e não ficará deslocada na Liga da Justiça.

Prejudicado pela trilha que marreta incessantemente o que parece ser um castigo divino, Batman vs. Superman ainda é alvo do sofrível 3D convertido – que, além de não acrescentar nada (Snyder usa uma profundidade de campo assaz curta), piora a situação porque os óculos da tal terceira dimensão só atrapalham um filme que já é por demais escuro. Com exceção de auto-flagelo, não há nenhum motivo para assistir à película em 3D (embora seja difícil achar uma cópia em 2D nos cinemas).

No final das contas, um dos principais problemas é que a produção se mostra refém do filme da Liga da Justiça. Por isso, além de quebrar o ritmo para atirar na tela pistas que fazem o coração dos fãs bater mais rápido, acaba investindo na construção de mitos que podem ser vendidos em trailers grandiosos, deixando de lado os elementos que envolvem as pessoas nas histórias. Os conflitos dramáticos superficiais não são dignos de uma produção que, ao menos marketingamente, tenta colocar um oponente como sendo luz e o outro como sendo trevas. No que diz respeito ao embate moral e filosófico entre duas escolas diferentes de pensamento, fica devendo. No que diz respeito a um filme envolvente e intenso, também fica devendo. É uma bagunça fora de controle que precisava muito de uma mão mais firme em sua condução, especialmente por estar lidando com personagens tão grandiosos e queridos por tanta gente. Os fãs mereciam mais.

13062016 - DEADPOOL:
AVALIAÇÃO: BOM

O humor que tanto chama a atenção dos fãs de Deadpool vem do uso descomedido de palavrões, da violência igualmente gratuita, da quebra da quarta parede (conversando com o leitor ou, agora, espectador). O Homem-Aranha, com quem ele já divide um visual bastante semelhante, usava do humor muito antes do Deadpool ser criado por Fabian Nicieza e Rob Liefeld, exatos 25 anos atrás agora em fevereiro de 2016. A ideia do teioso era tentar desestabilizar o adversário e esconder seus temores. No caso do mercenário tagarela, é pura zoeira.

Depois de levar uma rasteira ao ser mostrado totalmente desfigurado em X-Men Origens: Wolverine, Deadpool faz uso de seu invejável fator de cura para voltar ao cinema em um filme solo. E a zoeira é o que dá o tom desde o início. Na verdade, a zoeira e a dedicação de Ryan Reynolds, que assina como produtor e participou ativamente de toda a divulgação do filme, fazendo peças e mais peças para divulgá-lo, com trailers e comerciais em quantidades tão grandes quanto o número de palavras que sai da boca do personagem ou balas de suas armas.

E ao mostrar tanto, acabam faltando surpresas na hora que as luzes do cinema se apagam. Sobraram ainda algumas boas piadas, mas tudo o que você imagina que vai ver no filme já foi mostrado.

A história é aquela que foi contada inúmeras vezes em todos os vídeos até aqui: Wade Wilson (Reynolds) tem câncer e está com o pé na cova. Para tentar se curar, a única chance é se alistar em um programa clandestino que catalisa os genes de uma pessoa até que uma mutação aconteça em seu DNA - ou ele morra. No caso de Wade, ele cria um super fator de cura que elimina o câncer. No processo, sua pele vira aquela imagem do Grand Canyon visto do Google Maps. Como o processo todo foi bastante sádico, Wade parte atrás do cara (Ed Skrein) que fez isso para se vingar - e o vilão, óbvio, pega a mulher que Wade ama (Morena Baccarin) para usar como escudo.

Trata-se de mais um filme de origem de super-heróis. Temos ali algumas cenas de ação e um final que desnecessariamente tenta ser mais grandioso do que deveria. Na sequência teste que foi rodada para provar o potencial real do personagem (e depois refilmada para o longa-metragem), Deadpool explica que seu uniforme é vermelho para que seus adversários não vejam quando ele está sangrando. Ele complementa depois que um dos vilões, com as calças marrons, já tinha entendido o conceito. “Cagão”, o roteiro explica a citação mais tarde quando apresenta a personagem cega interpretada por Leslie Uggams. Não precisava!

Comparando com outros filmes de mesma classificação etária, Kick-Ass - Quebrando Tudo (2010) tem muito mais ação e humor, por exemplo. O que se vê na tela de Deadpool são piadas com pinto e bunda, que vão fazer a festa dos adolescentes brasileiros, que poderão ver o filme - no Brasil a classificação é 16 anos, contra o “R" nos Estados Unidos, que não deixa os menores de 18 anos assistirem ao filme sem a presença de um responsável. E é exatamente este o público que mais vai se divertir no cinema, principalmente se tiver desviado de todos os vídeos que estão online.

Se não tem vergonha de mostrar nus frontais, furos no fundo das calças e tirar sarro da própria Fox que financiou o filme, dos fracassos anteriores de Ryan Reynolds (incluindo aí Lanterna Verde, além do próprio Deadpool no citado filme do Wolverine) e dos X-Men, o filme perde alguns pontos pela falta de vontade de se arriscar mais no roteiro, tornando-se assim sem-vergonha em outro sentido também. E, convenhamos, este adjetivo certamente não é o pior que o Mercenário Tagarela já ouviu sobre a sua pessoa, né?

07062016 - O FANTASMA
AVALIAÇÃO: REGULAR

Em Bengala o vigésimo-primeiro membro de uma linhagem que há quatrocentos anos combate o mal decide ir para Nova York, para impedir que um milionário louco tome posse das Caveiras de Touganda (uma de ouro, outra de prata e a última de jade), que, juntas, vão gerar uma energia tão grande que dará ao dono delas um poder imensurável. Sendo que a Irmandade de Sengh, um grupo de piratas que existe por quatro séculos, também está interessado nas caveiras.

25052016 - X-MEN APOCALIPSE:
AVALIAÇÃO: REGULAR

  Pelo menos concordamos que o terceiro filme é sempre o pior”, diz uma jovem Jean Grey ao sair de uma sessão de O Retorno de Jedi. A piadinha é um aceno para X-Men: O Confronto Final (2006), a conclusão da primeira trilogia dos mutantes dirigida por Brett Ratner. Em X-Men: Apocalipse, que encerra a segunda fase da franquia no cinema, Bryan Singer evita, ainda que a um certo custo, a repetição dessa sina. O diretor retorna ao universo que criou em 2000 para abraçar as possibilidades deixadas por Dias de Um Futuro Esquecido e concluir a nova jornada com muito mais dignidade para os filhos do átomo.

A cena de abertura é imponente. Apocalipse (Oscar Isaac) é revelado com pompa egípcia para situar a parte religiosa da trama em uma época em que a mutação era vista como superioridade divina, não genética. É em 1983, porém, que o filme encontra a sua grandiosidade. No contraste entre entre o mundano e o fantástico da busca dos jovens Ciclope (Tye Sheridan), Jean Grey (Sophie Turner), Noturno (Kodi Smit-McPhee) e Cia. para controlar suas habilidades e continuar integrados ao mundo, com direito a passeios no shopping e idas ao cinema, está o verdadeiro espírito dos X-Men. Aprende-se mais sobre os personagens pela simples interação entre alunos e professores da Escola Xavier para Jovens Superdotados, pela cumplicidade entre os mutantes na sua busca por aceitação (dos outros e de si mesmos), do que em momentos grandiloquentes.

Uma pena então que grande parte das cenas envolvendo esse cotidiano, prometidas no material de divulgação, tenha ficado de fora do filme - Jubileu (Lana Condor), por exemplo, é mais um easter egg do que uma personagem. Singer e o produtor/roteirista Simon Kimberg justificam os cortes para dar coesão à trama. A falha em desenvolver corretamente o arco de Apocalipse, porém, que começa com contornos religiosos para terminar em uma busca vazia por poder, desequilibra essa proposta. O vilão, apesar da promessa de uma narrativa complexa, está lá apenas para justificar a criação dos X-Men em um mundo que se tornou otimista demais depois das ações de Mística (Jennifer Lawrence) ao final e Dias de Um Futuro Esquecido.

Xavier (James McAvoy) vê a possibilidade de um universidade integrada para mutantes e não mutantes. Sua escola é um caminho para educação, não a formação de heróis. Para mudar essa lógica, Apocalipse desperta do seu sono milenar para mostrar que ameaças sempre existirão e é preciso estar preparado. Um longo caminho é percorrido para essa conclusão simples, o que tira o peso dos dramas de cada personagem. O sofrimento existe apenas para levar do ponto A ao ponto B, sem consequências.

A imersão na trama também é prejudicada pela forçada resistência de alguns mutantes em assumirem suas verdadeiras formas. Hank McCoy convenientemente continua a ter sucesso no uso do soro para não esconder por tanto tempo o rosto de Nicholas Hoult sob a maquiagem do Fera (sendo que grande parte da história do personagem nos quadrinhos está ligada a luta entre a sua forma bestial e o seu intelecto superior). Para deixar Jennifer Lawrence livre da maquiagem azul por boa parte do filme, Mística tem como desculpa a sua resistência a ser reconhecida como a heroína que frustrou os planos de Magneto (Michael Fassbender). Sua habilidade de mudar de forma é usada apenas pontualmente, com seu arco focado na relutância em ser uma líder para os mutantes.

A transformação de Mística em heroína até encontra justificativa dentro dessa nova trilogia dos X-Men no cinema, mas a figura de Lawrence não deveria ser maior que a personagem. Já Oscar Isaac, na pele do vilão-título, se esforça para criar vida sob quilos de maquiagem e figurino. Uma a atuação que torna mais forte o desejo de que Apocalipse não fosse retratado de forma tão ingênua. Sua condição de falso deus poderia representar questionamentos para os jovens mutantes, ou pelo menos para os seus escolhidos cavaleiros. Tanto poder os torna melhores que reles mortais? Ou esse poder os torna responsáveis pelos menos “habilidosos”? Os conceitos, entretanto, são apenas apresentados. O desenvolvimento emocional não chega aos personagens e Singer acaba com dois filmes em mãos - a origem dos X-Men e o renascimento de Apocalipse - sem atingir verdadeiramente o potencial de nenhum.

Seria um erro fatal não fosse a certeira escolha do elenco. James McAvoy, Michael Fassbender, Oscar Isaac, e os jovens Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp (Tempestade), Ben Hardy (Anjo), Kodi Smit-McPhee e Rose Byrne (Moira Mactaggert) dão profundidade aos seus personagens, compensando as falhas na transição entre o lado leve e sombrio do filme. As únicas baixas são Psylocke, perfeitamente escalada em Olivia Munn e desperdiçada em um papel reduzido a três ou quatro palavras e muitas caras e bocas; e a alardeada participação de Wolverine (Hugh Jackman), justificada em um fan service bem construído, mas prejudicada pelo desgaste do personagem no cinema.

Além de contar com um bom elenco, Singer sabe criar momentos empolgantes, como a luta de mutantes em uma jaula no centro de um antigo teatro da Berlim Oriental, a evolução dos poderes de Magneto ou a já obrigatória cena com Mercúrio, que continua a roubar o filme para si graças a combinação da engenhosidade dos efeitos visuais com o carisma de Evan Peters. Também se destaca o conjunto visual, com figurinos e cenários aproveitando o contexto da década de 80 para se aproximar dos quadrinhos sem apelar para o cartunesco. Um filme, porém, não pode ser feito apenas de partes acima da média. É o elo entre tudo que faz a diferença.

Se não cumpre a expectativa em torno dos voo que alça, X-Men: Apocalipse ao menos tem o suficiente para cumprir seu papel como fonte de entretenimento. O filme deixa os mutantes mais próximos do seu potencial nas telas, sendo coerente com o caminho traçado desde Primeira Classe. A franquia agora precisa se agarrar a essa perspectiva positiva para cimentar seu universo no cinema. A Fox tem planos de seguir o modelo do Marvel Studios e para tanto precisa colocar os X-Men em movimento. Chega de histórias de origens (o tema de três dos seis filmes) ou correções da linha temporal.

10052016 - CAPITÃO AMÉRICA 3 - GUERRA CIVIL
AVALIAÇÃO: BOM

Capitão América: Guerra Civil é um filme de muitas missões. A primeira é cumprir a expectativa em torno de seu título, que promete adaptar ao cinema um importante arco da história recente dos quadrinhos. Mais do que fidelidade, os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely buscaram inspiração nas páginas criadas por Mark Millar e Steve McNiven, concentrando seus esforços na temática de responsabilidade da HQ. Quais os direitos e deveres do ser superpoderoso? Tem ele culpa nos danos colaterais da salvação do mundo?

É o erro de um dos heróis que inicia a discussão. Com o tratado de Sokóvia na mesa, propondo a regulamentação e a jurisdição daqueles com habilidades especiais, os Vingadores separam-se naturalmente. O filme situa os personagens no pós-Era de Ultron para que seja possível entender a escolha de cada um, não se detendo a uma questão de certo ou errado. Com Tony Stark (Robert Downey Jr.) tomado pela culpa de ações passadas e Steve Rogers (Chris Evans) preocupado em proteger os seus colegas de batalha, a velha rixa entre Homem de Ferro e Capitão América, estabelecida desde o seu primeiro encontro no cinema, ganha contornos épicos.

O segundo compromisso do filme é ser uma continuação de Capitão América: Soldado Invernal, o que transforma Bucky Barnes (Sebastian Stan) no evento catalisador definitivo de Guerra Civil e cria terreno para uma terceira missão: apresentar Pantera Negra. Assim, enquanto gradualmente aumenta a escala do conflito, com cenas de perseguição empolgantes, dirigidas com engenhosidade pelos irmãos Joe e Anthony Russo, o longa desenvolve a história do velho amigo de Steve Rogers e do herdeiro de Wakanda. A introdução de T'Challa se completa em poucas cenas, cuidadosamente construídas para estabelecer o seu universo, da pessoa pública ao guerreiro. Pela interpretação de Chadwick Boseman, a figura mascarada que adentra a trama tem personalidade e sua inclusão ao panteão do universo cinematográfico da Marvel é concluída com sucesso.

O mesmo vale para o quarto e mais aguardado encargo de Guerra Civil: a apresentação do novo Homem-Aranha. Fruto de um altamente divulgado acordo entre Sony e Marvel, o herói retorna "emprestado" para o estúdio da Casa das Ideias, ganhando no terceiro longa de Capitão América a introdução necessária para tirar do caminho do seu filme solo (previsto para 2017) a sua tão repetida história de origem. Markus e McFeely resolvem em algumas linhas de diálogo a personalidade, os poderes, as responsabilidades e o uniforme do amigão da vizinhança, dando espaço suficiente para Tom Holland justificar a sua escalação. Colocada em ação pelos Russo, essa versão "moleque" completa a demonstração do seu potencial. Entre uma piadinha e uma balançada de teia, Peter Parker está pronto para voltar aos cinemas.

Envolvendo todos esses objetivos está a incumbência de Capitão América: Guerra Civil iniciar a Fase 3 do universo cinematográfico da Marvel. A trama se desenrola como uma consequência de eventos da Fase 2, principalmente Soldado Invernal e Era de Ultron, tendo como principal amarra a misteriosa figura de Zemo. Desprovido do baronato, o vilão interpretado por Daniel Brühl aparece em uma versão bastante diferente dos quadrinhos, o que pode encontrar resistência entre alguns fãs. A justificativa está em uma proposta que desafia a lógica dos blockbusters no terceiro ato. Uma "ousadia", porém, que quebra o ritmo da narrativa e pode ficar no caminho da necessária imersão do espectador.

Tantas obrigações, tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, fazem de Guerra Civil um filme grandioso, porém episódico. A sensação de que está se vendo apenas uma parte, não o todo, é constante. Sem um clássico início, meio e fim, trata-se de mais um capítulo do MCU, que os Russo amarram com habilidade, usando o debate sobre responsabilidade, as brigas e o humor para desenvolver emocionalmente todos os personagens. Do relacionamento entre Visão e Feiticeira Escarlate, conhecido nos quadrinhos e delicadamente construído na tela, ao amadurecimento de Tony Stark, em um retrato diferente de suas outras encarnações, mas não menos interessante, passando pelas muitas amizades do antes solitário Steve Rogers, ou mesmo pela lealdade de Homem-Formiga, Falcão, Máquina de Combate, Gavião Arqueiro e Viúva Negra. A história de todos segue em frente, mesmo que a conclusão ainda esteja distante.

Essa habilidade dos Russo para trabalhar diversos elementos simultaneamente aparece também nas cenas de ação. Como em Soldado Invernal, a dupla sabe coordenar os acontecimentos, evitando que o público se disperse com o movimento, seja no corpo a corpo ou em grande escala. A monumental cena do aeroporto, por exemplo, aproveita as habilidades de cada herói para desenvolver a ação de forma narrativa (e divertida). É possível saber onde cada personagem está e entender a sequência de eventos. Cheio de surpresas para os fãs, o trecho só perde o impacto pelo excesso de efeitos visuais, facilmente detectáveis em momentos que poderiam ter sido melhor finalizados. O alto nível da ação prática, incluindo a forma quase dolorosa com que os personagens despencam de prédios (adornada por uma ótima edição de som), aumenta ainda mais o contraste com esse visual artificial.

Capitão América: Guerra Civil é mais um filme do padrão Marvel Studios. Não foge das regras estabelecidas até aqui e leva um plano maior adiante, preparando um intrigante terreno para Vingadores: Guerra Infinita. É um evento cinematográfico, que ancorado pelo talento de seus roteiristas, diretores e do elenco, evita ser descartável. Existe uma ligação emocional com os heróis que continua a crescer, com antigos personagens evoluindo e novos membros do time trazendo renovação. Basta saber se essa história terá uma conclusão satisfatória, ou, como tantas grandes séries, terminará em uma sensação de vazio.

19032016 - DEMOLIDOR - O HOMEM SEM MEDO:

O gênero filmes de super-heróis está sendo explorado a todo o vapor em Hollywood. Naturalmente, com tantas produções em andamento baseadas nas histórias em quadrinhos, começam a surgir as adaptações boas, as ruins e, é claro, as medianas. Demolidor - O Homem sem Medo (Daredevil, de Mark Steven Johnson, 2003) se encaixa perfeitamente na última opção.

Criado em 1964 por Stan Lee (texto) e Bill Everett (arte), a personagem foi desenvolvida no embalo dos sucessos da Marvel Comics, incluindo aí o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico e o Hulk. No competitivo mundo de hoje, não foi necessário tanto tempo entre a estréia do filme do Aranha e o do Demolidor. Bastaram onze meses. Porém, assim como nos gibis, os resultados de ambos foram extremamente distintos.

Apesar de ser o primeiro filme do herói, os produtores optaram por fugir da clássica abordagem da origem e início de carreira. Na adaptação, o Demolidor já começa veterano no combate ao crime e seu passado é revelado rapidamente por meio de alguns flashbacks.

O jovem Matt Murdock (Scott Terra) é um garoto franzino, atormentado pelos valentões da Cozinha do Inferno. Depois de um acidente com lixo radioativo, perde a visão, mas tem todos os seus outros sentidos ampliados, além de ganhar uma espécie de radar que lhe permite enxergar através das ondas sonoras. Apesar de ser bastante semelhante à origem dos quadrinhos, no filme, diversos elementos foram agrupados ou alterados para deixar a história mais coesa e sucinta. Com tais habilidades, o garoto adquire maior auto-confiança e passa também a treinar seu corpo para se tornar um combatente do crime. Já adulto (e interpretado por Ben Affleck), assume a identidade do audacioso super-herói Demolidor. A decisão, motivada por um trágico evento em seu passado, também influi na carreira profissional de Matt, que acaba se formando em direito.

Dono de um escritório de advocacia que só atende clientes honestos - o que pode parecer mais fantástico do que alguém com um radar na cabeça -, Murdock conta com seu sócio Foggy Nelson (Jon Favreau), com quem divide alguns dos diálogos mais divertidos do filme. Por uma série de coincidências, Matt conhece Elektra Natchios (Jennifer Garner), filha de um magnata grego e treinada em todas as artes marciais. Os dois se apaixonam. Surpreendentemente, descobrimos então que SIM, super-heróis também fazem sexo, o que deve fundir a cabeça de alguns fãs por aí.

Os problemas de Murdock começam quando Elektra torna-se alvo do Rei do Crime (Michael Clarke Duncan), que decide matá-la pela traição de seu pai. Para o trabalho sujo, o criminoso contrata o irlandês Mercenário (Colin Farrell), um exímio assassino, cuja pontaria é certeira e letal...

Demolidor, apesar da boa premissa e talentos envolvidos, não consegue decolar. Na mesma medida em que apresenta boas personagens ou situações, propõe outras tão fracas que acaba equilibrado como uma produção simplesmente comum. Enquanto Farrell, Duncan e Garner empolgam com suas aparições, todas as vezes em que Ben Affleck se manifesta acaba prejudicando o filme. Quem também não ajuda é o roteirista e diretor, que não oferece cenas realmente criativas, além do efeito que mostra o funcionamento do radar do Demolidor. Inexperiência? Talvez. Afinal, Johnson só havia dirigido até aqui Pequeno milagre (Simon Birch, 1998). Não há popularidade super-heróica que salva a mediocridade na direção.

13122015 -  "O SOMBRA 2 - REVOLUÇÃO:

Quando seus poderes místicos falham, o Sombra viaja pelo globo numa busca sangrenta por respostas. Ele tenta se reconectar com seus mestres espirituais no Nepal, mas é desviado por uma operação de contrabando de ópio. Depois disso, viaja para as frentes da Guerra Civil Espanhola em busca de negociantes de armas e de um pretenso ditador. Quem é o maníaco El Rey, e como o Sombra fará justiça quando descobrir que um antigo amor serve como seu guarda-costas brutal, Pardal Negro?

O SOMBRA 1 - O FOGO DA CRIAÇÃO:

Lamont Cranston, é o nome "comum" daquele que é conhecido como o sombra um verdadeiro justiceiro, Fogo da criação começa retratando a invasão japonesa a China onde milhares morreram, outros milhares sofreram coisas piores que a morte, e boa parte dos que fugiram ficaram pra sempre com as marcas daquele dia sangrento, após esse ocorrido o sombra começa a seguir os passos dos japoneses para conseguir ir atrás dos principais suspeitos por estarem por trás daquela cena. Após alguns anos ele tem pistas dessas pessoas novamente, quando elas começam a armar determinado plano para conseguir um tipo de mineral especifico para fazer uma bomba, que dará ao Japão imperial o controle do mundo (lembrando que esse quadrinho se passa pré-segunda guerra mundial, antes do lançamento da bomba atômica no japão, lembre-se desse fato até o final da história pois ele irá te surpreender muito), Cranston então começa uma camuitas intrigas, investigações e infiltrações ao passador dos anos, o sombra luta contra o tempo para poder impedir que os japoneses consigam o que eles procuram e ao mesmo tempo, tirar de seus ombros o pesoçada implacável, ao Major Kondo que é o principal nome junto ao imperador nessa época, no meio de da vingança daquele massacre chinês.

Dono de um característico nariz aquilino e ameaçadores olhos negros, ele sempre usava chapéu, casaco e capa pretos, com a boca coberta por um lenço vermelho e um anel com um rubi enorme chamado Girassol, segue bem a linha de vingadores mascarados, que conhecemos sendo um personagem O Sombra é um personagem de histórias policiais criado originalmente para os programas de rádio na década de 30. Seu criador foi Walter Brown Gibson, sob o pseudônimo Maxwell Grant. Trata-se de um impiedoso vingador mascarado que é, na realidade, o milionário Lamont Cranston. Mas qual é sua diferença, ele não é o batman que faz tudo dentro da lei, ele trabalha a serviço da lei e da justiça mas mata todo mundo sem nenhuma vergonha. Ele conhece o futuro, e tem poder de ressuscitar os mortos por meio de um anel. Sua mira quando ele se "transforma" no sombra é implacável fazendo com que seus tiros matem os alvos com um único disparo.

O fogo da criação

Após você chegar ao final da história da pra entender muito bem o porque do nome da HQ ligando os fatos, com a narrativa, mas essa não é uma história de preludio explicando da onde surgiu os poderes dele ou como, o sombra nasceu na verdade é uma fase especifica, na qual eles decidiram publicar, oque faz com que leitores que não conheciam o personagem (tal como eu), necessitem procurar um pouco a respeito do mesmo na internet para poder ter um conhecimento maior sobre o personagem, isso não interfere no ritmo da leitura, apenas te deixa um pouco desorientado no começo da história, não entender oque está acontecendo, pois na verdade não existe nem mesmo uma "apresentação formal" dos personagem. Mas a partir da terceira parte você já entende a situação, o problema, o personagem, dentre outros detalhes, e depois dai é fácil se entregar completamente a narrativa e aproveitar a HQ quase 100%.

“Se você é fã de Ennis, vai gostar deste livro, sem dúvida. É o personagem perfeito para a mentalidade sombria do autor, e parece que vai ser uma viagem realmente infernal. Se você é fã do Sombra, então ficará feliz de saber que o personagem está em ótimas mãos. Ennis obviamente o adora tanto quanto nós.” - IGN

Se tratando de edições de luxo, a Mythos não deixa de economizar e sempre trás conteúdos de fãs para

fãs, está edição do sombra conta de maneira perfeita com extras na medida certa com um Preview de roteiro para essa HQ além de todas as capas e capas alternativas que saíram no EUA para essa série, e na introdução de cada parte, uma LINDA (sério mesmo), capa das edições Ilustrador por Alex Ross tem algumas que eu achei que ficariam mais bonitas do que a que eles escolheram para a capa.

É o tipo de item que eu recomendaria fortemente para qualquer um dos meus amigos, e tem destaque na minha coleção.

Pontos negativos
Tudo que disse até agora foi a parte positiva do quadrinho, mas creio que a unica parte negativa mesmo foi a decisão deles de qual volume do sombra trazer para publicação, pois como tinha dito para aqueles que não conhecem o personagem não irá entender muita coisa, e muito menos entender da onde o personagem surgiu ou como conseguiu seus poderes, e realmente espero que numa futura edição a Mythos traga um HQ da origem do sombra, ou quem sabe até outras histórias consagradas dele que eu andei procurando em sites de Scan.

Considerações finais

É uma boa HQ com um lindo desenho, extras muito bem escolhidos, em uma edição bem feita e principalmente com um preço justo por tudo isso. É um personagem bom, com uma história solida, com um bom material que ela pode trazer e fazer sucesso. Eles tem a receita para o sucesso só basta aproveitarem.
 

28112015 - JESSICA JONES:

Jessica Jones é um dos primeiros produtos desta nova fase da Marvel no cinema e na TV a explorar a fundo a psicopatia de heróis e vilões. Ambientada nas mesmas ruas de Demolidor, outra produção da Netflix, o seriado situa o espectador nas entranhas de uma Nova York abalada pelo surgimento de seres com poderes e cheia de pessoas atormentadas por acontecimentos vistos em Vingadores e Era de Ultron. Para se diferenciar dos demais, a série não só mostra um lado mais sombrio e adulto da Casa das Ideias, como apresenta um thriller psicológico que vai além das histórias publicadas nos quadrinhos.

A mulher super-poderosa (Kristen Ritter) das HQs da Marvel continua forte, curiosa e desbocada. Por outro lado, os tormentos causados pelo seu passado, o alcolismo e todas as escolhas erradas que Jones fez compõem o fio-condutor de toda a narrativa desta primeira temporada com mais força do que nas páginas de qualquer gibi da personagem - mesmo no selo Max. Essa abordagem dá certo, principalmente, pela presença de David Tennant como Kilgrave, o Homem-Púrpura. Sarcástico e com presença maléfica imponente, o vilão é o componente que faz a série superar seus próprios defeitos, se tornando uma das melhores empreitadas da Marvel na TV/streaming até hoje.

Uma detetive em crise e o melhor vilão da Marvel?

O roteiro de Jessica Jones segue uma linha do tempo não-linear, assim como Demolidor. Ao mesmo tempo que ela luta contra Kilgrave, flashbacks contam sobre sua origem e outros acontecimentos importantes situados no passado - desde a sua adoção até o relacionamento com Luke Cage (Mike Colter). Assim como nos quadrinhos, o trauma causado pelo tempo em que passou controlada pelo vilão é o que a persegue. A diferença é que aqui um lado mais frágil da personagem é mostrado. Ela sempre lamenta, sofre e se arrepende de muitas atitudes. Kristen Ritter traz uma Jessica amargurada e até frágil demais, ainda que com uma frase de efeito diferente para cada ocasião.

A comparação com o Demolidor de Charlie Cox aqui cabe bem novamente, pois a Marvel parece querer contar origens sem mostrar o real motivo dos poderes de cada herói. A ideia é compôr o caráter dos personagens a partir dos primeiros dilemas que eles enfrentam na carreira. Matt Murdock confronta a máfia, Jessica Jones um psicopata. Ser ou não ser um super-herói não é a primeira dúvida de ambos. O problema aqui é entender se eles são mesmo pessoas boas e o que vão fazer com seus poderes. Estes embates pessoais funcionam melhor quando há um antagonista forte o suficiente para tornar aquele questionamento crível - e é por isso que Kilgrave sustenta os 13 episódios da série como nenhum outro vilão da Marvel.

Os primeiros capítulos mostram o vilão apenas como uma presença, uma força de pura maldade que faz pessoas cometerem atos bárbaros. Quando David Tennant aparece com seu terno roxo e um sorriso sarcástico, a impressão é que a magia vilanesca se transformará em algo mais caricato, como a maioria dos bandidos da Marvel. Isso não acontece. Tennant equilibra de forma magistral o humor ácido de Kilgrave com seus acessos de pura loucura. O ator escocês escapa dos diálogos óbvios com um timing perfeito para alternar entre o psicopata apaixonado e o vilão de planos mirabolantes.

O roteiro é cheio de conversas mal escritas e piadas recorrentes, mas acerta ao retratar o poder de Kilgrave pelos efeitos colaterais. Mais do que mostrar a força do controle mental, a série expõe quão problemático é viver depois de ser controlado. Muitos personagens questionam a razão verdadeira de terem feito tal ato e começam a duvidar da própria sanidade, mesmo longe do Homem-Púrpura. Enquanto constrói esse ambiente de alucinações e paranóia, Jessica Jones está um nível acima da média para qualquer série de TV.

As piadas, Luke Cage e os Defensores

O escorregão maior do seriado é a pobreza de produção em cenas de ação e a falta de inspiração nos diálogos entre os quatro principais personagens: Jessica, Cage, Trish e Kilgrave. Há química entre todos, o casting foi bem feito, mas não há um episódio sequer em que alguém não precise soltar um bordão. Jones o faz ao menos duas vezes por episódio. Isso não constrói o personagem, apenas cria uma aura mais irreal para uma série que tenta toda hora manter os pés na realidade. Jones age, muitas vezes, como Tony Stark (Robert Downey Jr) em Era de Ultron - na primeira oportunidade, faz piada ou desdenha de alguém. Até a terceira vez é interessante, daí em diante se torna cansativo.

Os combates são outro defeito evidente. Jessica não sabe lutar, por isso é justificável não termos lutas coregrafadas. O que não se engole são as cenas mal filmadas e os efeitos pobres para mostrar a força dela e de Luke Cage. Cortes secos e ângulos extremamente fechados não dão a noção das lutas que ocorrem na tela. E diferente de Demolidor, que tinha cenas de ação bem compostas, Jessica Jones passará longe de ser lembrada por isso, apesar de ter muitas sequências do tipo ao longo de 13 horas de conteúdo.

Esta é uma série que comprova mais uma vez a necessidade de existerem dois universos diferentes no universo cinemático da Marvel. Os deuses e super-heróis lidam com as coisas de grandes escala, com os problemas mundiais. Os 'dotados' precisam conviver com os efeitos que estas mudanças trouxeram às cidades, enquanto se descobrem e procuram uma vocação justa para aqueles poderes. Aqui, a Netflix e a Marvel fazem essa conexão com os filmes e outras séries de forma sutil, sem jogar desculpas aleatoriamente para agradar aos fãs.

Entre altos e baixos, Jessica Jones é o melhor exemplo de série de super-herói desta safra mais recente. Mesmo com um roteiro falho e cenas de ação pouco inspiradas, toda a batalha psicológica entre Jessica e Kilgrave, onde reside o coração da trama, é bem desenvolvida. Há uma clara evolução de escolha de elenco e na composição narrativa. Os núcleos se encaixam bem e os ganchos são interessantes o suficiente para desejarmos uma nova temporada. Não há dúvida que a Marvel encontrou o caminho para mostrar seu lado mais adulto.

18112015 - BATMAN ASSALTO EM ARKHAM:

Este final de semana tive a oportunidade de assistir ao último longa animado feito especialmente para o mercado Home Video da DC Comics: Batman Assault on Arkham, que ainda não foi lançado oficialmente em DVD no Brasil, mas que já se encontra disponível nos Estados Unidos desde agosto, tanto em Blu-ray quanto em DVD e a respeito da animação… UAU!

A produção faz parte da DC Universe Animated Original Movies que já animou muita coisa sensacional do Batman nos últimos anos, como Ano Um, Cavaleiro das Trevas, Capuz Vermelho e também outras grandes histórias de outros personagens da DC, como Superman All Stars, Vs Elite e vários longas da Liga da Justiça como A Nova Fronteira e Ponto de Ignição. Claro que nem sempre eles acertam, por exemplo, não curto muito Liga da Justiça: Crise em Duas Terras (há um plot muito melhor semelhante na extinta série animada da Liga da Justiça) ou outros apenas fracos como Superman Sem Limites ou a animação solo da Mulher Maravilha. Alias, a última animação antes de Assault on Arkham, O Filho do Batman, não achei nada interessante em comparação com o que a mesma saga teve nos quadrinhos, tornando uma animação sem qualquer momento épico ou nem mesmo simpática. Não me pareceu muito um conto do universo do Batman, sendo um clima muito anormal ao que a mesma história possui nas páginas originais da revista do morcegão.

E é meio por culpa dessa última animação que fiquei um pouco menos empolgado com essa nova animação do Batman, já que curto quando a DC dá uma variada entre estas produções e era apenas mais Batman, enquanto há tantas outras sagas e histórias tão boas para serem produzidas. Por que não um Guerra dos Anéis do universo dos Lanternas Verdes? Ou quem sabe algo com Os Novos Titãs? Até mesmo Batman e os Renegados não seria ruim. Enfim, aí resolveram que o universo da série dos games Batman Arkham daria uma boa animação. Meio que vi esse anúncio com uma certa desconfiança. Que bom que estava totalmente errado a este sentimento de desconfiança porque Assault on Arkham é uma excelente animação! Talvez posso figurar entre as melhores produzidas até então (mas não a melhor, é impossível dizer qual a melhor dessa coleção Home Vídeo).

Talvez leve algumas pedradas nos comentários da postagem, mas preciso admitir que não joguei todos os Batman Arkham, muito menos terminei o primeiro. Não que não seja um excelente game, só que fiquei adiando eles (tenho todos aqui em casa) em detrimento de outros títulos mais hypados e o game foi ficando cada vez mais esquecido aqui na prateleira. Joguei o suficiente para me divertir e pronto, não ficando tão intrigado assim em relação a sua história (afinal, já acompanha a DC nos quadrinhos então é difícil me interessar totalmente nas histórias paralelas feitas em outras mídias de entretenimento). Toda essa volta apenas para dizer que não posso dizer com todas as letras se o enredo da animação é baseada em grande parte com algum plot dentro de todos os games da série Arkham ou se é algo totalmente inédito criado para a animação.

Eu desconfio que seja a segunda opção, pois o Batman é apenas um personagem secundário em Assault on Arkham, o que por si só já é uma grande surpresa pra mim. Junta se ao fato de que a história em si não é completamente estranho pra mim, pois nos quadrinhos existe o Esquadrão Suicida e li algumas histórias bem bacanas com estes personagens que me lembraram um pouco a história contada aqui na animação.

Para quem ficou perdido agora na referência, o Esquadrão Suicida é um grupo de vilões reunidos pela Amanda Waller, que trabalha para o Governo dos EUA, para invadir Arkham e capturar algo que ela precisa lá de dentro, sem que Batman seja alertado. O grupo é composto por alguns personagens conhecidos, como Harley Quinn (Arlequina), o Pistoleiro e o Capitão Bumerangue, além de outros de menor destaque como o Tubarão Rei (que nos quadrinhos tem um visual muito mais maneiro) e a Nevasca. Tem um outro, o Black Spider que infelizmente não me lembro o nome dele em português. A imagem destes personagens estão na última imagem da galeria que fecha esta matéria.

A animação então tem como protagonistas os personagens acima, colocando-os frente a outros vilões, porém sempre lembrando que eles não são os mocinhos da história, apenas peões numa narrativa muito maior, porém é a chance dos espectadores conhecerem alguns lados diferentes destes personagens e como alguns são mais vilões do que outros. A própria Arlequina e o Pistoleiro possuem papéis importantes a trama e nem sempre são retratados como vilões, mas também como injustiçados pela carga que possuem em suas origens.

O que me surpreendeu na animação foi todo o clima de mistério e tensão da equipe. Você nunca sabe quando vai dar merda, quando os vilões não vão seguir o plano, quando algo vai dar errado e quando o Batman irá aparecer. Há inclusive uma reviravolta incrível em determinado momento em se você estiver desatento não percebe até segundos antes da coisa acontecer. Destaque para o fato de que como é uma animação feita para Home Video há muito menos censura do que se fosse um desenho para TV. Há mortes, do tipo cabeças explodindo, sangue e até mesmo cenas de nu e sexo na história, o que é um tanto quanto novidade nesse tipo de animação (nos quadrinhos rola as vezes, mas nos desenhos é difícil encontrar de forma tão explicita). E vale a batalha final do Coringa contra… não, não é o Batman! Que foda quando dois vilões sem qualquer moral decidem que um deve morrer e pronto. Achei incrível essa pancadaria, afinal o Coringa do universo de Arkham é algo digno de ser usado em seu potencial pleno e felizmente é isso que acontece.

No fim, eu toparia sem qualquer problema uma sequência com os remanescentes do Esquadrão Suicida dessa animação, porque sim, nem todos ficarão vivos até o final da história! Vale correr atrás e assistir! Fica a recomendação!

18102015 - A VOLTA PUNHO DE FERRO, A ARMA VIVA.

Punho de Ferro e Shang Chi, o Mestre do Kung Fu, foram criados nos 70, aproveitando o imenso sucesso de Bruce Lee no mundo todo. Um excelente idéia da Marvel, pois as histórias são muito boas.

09102015 -  VINGADORES - ERA DE ULTRON:
Érico Borgo

Consciência é a palavra que guia os personagens de Vingadores: Era de Ultron. Ser capaz de perceber a relação entre si e o ambiente é um dos fatores que estabelecem essa condição, a de ser consciente, algo com o que Tony Stark (Robert Downey Jr.) vive em eterno conflito.

Outrora um fabricante de armas, o Homem de Ferro continua sendo obrigado a encarar o resultado de seus atos passados. Tornar-se um super-herói foi parte do processo de lidar com essa consciência. Agora, virar um defensor global é ensejo ainda mais poderoso nesse sentido, já que sua busca por redenção passa pela criação de uma legião de robôs, comandados por Jarvis (voz de Paul Bettany), que patrulham o mundo e pretendem torná-lo algo "melhor".

O tormento velado de consciência motiva o desejo por uma inteligência artificial de verdade, a criação de um ser imune ao erro. Afinal, Jarvis é limitado, um sistema operacional inteligente, mas incapaz de tomar decisões que fujam de sua programação. Faz todo sentido dentro dessa premissa, então, que outro personagem assombrado pelos seus atos, Bruce Banner (Mark Ruffalo), partilhe desse ideal e ajude Stark a concretizá-lo, quando ambos recuperam o poderoso cetro de Loki, fonte inesgotável de energia e de controle psíquico.

É essa dança de mentes perturbadas que desperta o transtornado Ultron (James Spader). O androide antagonista do filme não poderia ter melhor intérprete. Spader, que atuou presencialmente e foi substituído por computação gráfica de captura de movimentos (estudados ao lado do mestre na técnica Andy Serkis, que aqui vive o vilão Ulysses Klaw), dá um show. Ameaça, ironiza, desafina, seduz, faz piada e mata por pura e fria lógica, do tipo que dita que para resolver um problema você deve eliminar sua fonte: os Vingadores e a humanidade. Cartilha tradicional da boa ficção científica de robôs superinteligentes, mas não efetivamente conscientes.

Essa jornada histriônica do ser artificial, que passa pela busca do corpo perfeito, é retrato deturpado da própria jornada de seu criador, ele também um fazedor de corpos perfeitos, sedutor, ególatra e dono de um humor todo particular. Nessa dualidade da criação e criatura reside o melhor de Vingadores: Era de Ultron.

O tema é mais complexo que as questões de poder e a relação familiar imediatamente relacionáveis do primeiro Os Vingadores. Talvez por isso tanto tenha se falado sobre o tom "mais sombrio" do filme. Mas essa carga potencialmente dramática é quebrada incessantemente com ação e humor, o que tira daí qualquer impressão mais duradoura de foco mais adulto ou realista, de perigo real, que o filme poderia passar. Felizmente, é uma produção do Marvel Studios, afinal.

Estofando a conversa filosófica estão, em nível pirotécnico imediatamente acessível, as bastante longas sequências de combates, que dão tom superlativo ao filme. Nessa superfície, Vingadores: Era de Ultron exagera em alguns momentos, como ao usar cenas superposadas emulando capa de gibi, com resultado um tanto constrangedor. Montanhas são derrubadas, prédios são obliterados, robôs - muitos robôs - são desmembrados, gerando um verdadeiro descontrole cinético (ainda que não ultrapasse registros recordistas na escala Michael Bay de devastação).

Com sequências que começam grandiloquentes e ficam maiores e maiores, é curioso que um dos bons respiros seja justamente uma cena de ação clássica, a parada de um trem desgovernado. Superman e Homem-Aranha já salvaram os seus - e chegou a hora dos Vingadores. Falta ao filme essa qualidade de heroísmo clássico e algumas variações sem tantos excessos, certos momentos que preparem a próxima grande cena, usando melhor heróis e habilidades específicas, algo que o primeiro Vingadores soube fazer melhor.

O respiro, quando acontece, vem em momentos de diálogos intimistas, quando todos os Vingadores estão equilibrados em seus trajes civis. Ao menos nessas cenas de tranquilidade, a aventura aproveita para explorar personagens que não têm seus próprios filmes para serem aprofundados. É o caso do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), que tem participação mais longa - ainda que um tanto deslocada do tema central - e da interessante relação entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Banner/Hulk.

Do lado oposto, os gêmeos Wanda e Pietro Maximoff (Elizabeth Olsen e Aaron Taylor-Johnson) operam por conta própria, guiados por um desejo de vingança. Enquanto ele não tem o que fazer e os fãs do personagem (que, encaremos, nunca foi grande coisa nem nas HQs) amargam uma atuação apática do Kick-Ass, ela vai ao encontro do tema central com intensidade. A heroína tinha mesmo que estar presente, especialmente pelo seus poderes de manipulação da realidade - e da percepção. De novo, a mente é o foco, e a representação que o filme faz dessas habilidades é ao mesmo tempo estranha e plasticamente bonita.

Com sua própria consciência, egressa de tempos mais simples, Steve Rogers (Chris Evans) é mostrado em vislumbres de choque com Tony Stark. O Sentinela da Liberdade é o oposto perfeito para a ideia, que flerta com o totalitarismo, de uma força de paz corporativa, atuando em solo estrangeiro, do Homem de Ferro. Esse é um ponto igualmente interessante no filme - e no discurso de Ultron -, com os Vingadores literalmente invadindo nações soberanas, "protegendo o mundo, mas não querendo que ele mude". O palco está montado para o filme vindouro da Guerra Civil, com a cisão dos heróis.

Não seria um filme da Casa das Ideias, afinal, se não fossem preparados os próximos capítulos da saga desse universo compartilhado Marvel no cinema. Mas nesse sentido, Vingadores: Era de Ultron é surpreendentemente econômico. Falava-se em heróis secretos, em possíveis ganchos do tipo que alucinam os fãs, mas a aventura centra-se (por mais que meu lado fanático refute em dizer isso) corretamente em seus personagens principais, na situação em questão, deixando o futuro em aberto, com muitas possibilidades mas poucas certezas, sem grandes acontecimentos castradores da criatividade dos cineastas que seguirão esse legado.

Um dos novos heróis a serem trabalhados é o sintetizoide dos quadrinhos, Visão (também Paul Bettany). Uma adaptação perfeita do personagem nas páginas, a criatura surge simplificando todos os seus conceitos das HQs, mas ao mesmo tempo mantendo-os intactos. Enquanto nas aventuras impressas o Visão era cria de Ultron, usando as memórias de um companheiro caído dos Vingadores, aqui ele é um fruto de inadvertido esforço coletivo, algo extremamente bem pensado dentro da lógica do filme. É chamado de "inocente" logo nos primeiros momentos de vida, mas é alguém movido por uma consciência poderosa - a de alguém único e capaz de fazer a diferença no futuro da espécie, seja lá qual for. Todas as suas aparições roubam a cena no filme, em especial uma luta ao lado de Thor (Chris Hemsworth), que tem pouco o que fazer na história, mas algumas das melhores sequências de batalha. Etéreo, poderoso e sutil como deve ser, o Visão é a representação pura da ideia que guia o filme.

Ao final, Vingadores: Era de Ultron é a Era da Mente, um filme cujo cerne é brilhante, mas acaba diminuído pela necessidade, essa inércia de indústria, de ser maior e mais épico, o que acaba gerando um certo descontrole em relação ao certeiro primeiro longa. A Marvel não deveria ficar competindo em escala com outros blockbusters, mas evidenciar para o público e a indústria seus valores históricos, que tornam seus quadrinhos tão valiosos para gerações inteiras de fãs. Nivelar-se em excessos prejudica o equilíbrio que deve ser o legado da editora.

GOTHAM (2015):

“Gotham” é uma série arriscada. Primeiramente, o risco dos produtores em lançar um produto com um universo conhecido pelos fãs dos quadrinhos, mas remodelando-o a partir de histórias de origem era alto. Em segundo lugar, uma série em que o personagem mais importante desse universo não é o protagonista é um risco ainda maior. Mesmo assim, os 22 primeiros episódios foram produzidos e exibidos, completando sua primeira temporada, reapresentando personagens consagrados em outras mídias, e oferecendo ao espectador novas possibilidades, umas positivas e outras nem tanto.

O grande mérito da temporada está mesmo nos personagens, principalmente, Oswald Cobblepot (Robin Lord Taylor), que é construído ao longo dos episódios, passando de um simples capanga até se tornar um aspirante do reinado do crime em Gotham City. Muito disso se deve a como o personagem foi se desenvolvendo na série, mesclando momentos de psicopatia total com outros de extrema fraqueza, tanto física, quanto comportamental do futuro Pinguim. Aliás, a explicação de como ele ganhou essa alcunha é outro ponto positivo.

O Pinguim é um personagem tão interessante e cativante, mesmo que aterrador às vezes, que o espectador se esquece do maior vilão da cidade, que aqui é mostrado apenas como uma possibilidade de dar as caras em possíveis próximas temporadas. O mesmo vale para outros vilões que são apenas sugeridos, como o Espantalho, Hugo Strange e Hera Venenosa, que dentre esses, é a que mais aparece nos episódios, como uma garota estranha e misteriosa.

O outro futuro vilão que ganha certo destaque é o analista da polícia Edward Nygma (Cory Michael Smith), um instigante personagem que mantém a característica principal de fazer charadas a todo o momento. O problema com o personagem e que afeta outros na temporada, é que ele de uma hora para outra perde totalmente o controle e se torna uma mente absolutamente perturbada (mais do que era em “sua normalidade”). Qual o problema da cidade em que todos surtam de repente? Criaram até um personagem estilo “50 tons de cinza” pra fazer a ex-namorada de Gordon, Bárbara Kean (Erin Richards) perder a razão. E nem me venham com a história de que ela pode se tornar uma nova versão da Arlequina.

Do lado dos heróis, já que não há um Batman, mas apenas um jovem Bruce Wayne (David Mazouz) e seu mordomo Alfred (muito bem vivido por Sean “Filho do Terceiro Doutor” Pertwee), todo o destaque vai para o Detetive James Gordon (Bem McKenzie), que se mostra como um policial determinado, incorruptível e disposto a fazer a diferença numa cidade dominada pelo crime. Mas é claro que até mesmo ele acaba se envolvendo com esse mundo obscuro, o que rende bons momentos na série, principalmente, sua relação com o Pinguim.

O Detetive Harvey Bullock de Donal Logue não é tão soturno quanto o da série animada dos anos 90, mas lembra em muitos aspectos essa versão, sobretudo, por caminhar entre os dois mundos, o da lei e o das sombras de Gotham. Os embates éticos e morais entre ele e Gordon rendem boas cenas e a química entre os atores é perfeita. Principalmente no princípio, você não sabe se Bullock é um dos heróis ou mais um dos vilões.

Esses personagens são, mais uma vez dizendo, os pontos altos da série. Os demais têm suas qualidades, mas perdem um pouco de interesse por estarem inseridos num contexto que não me agrada tanto e que vem sendo uma constante nas séries atuais, sobretudo, aquelas baseadas nos quadrinhos: histórias de Máfia. Ao que parece, o fenômeno “Família Sopranos” deixou uma lacuna na televisão, já que os roteiristas insistem em tramas envolvendo famílias de criminosos e o domínio do poder do crime organizado.

É claro que Gotham City possui essas tramas desde que surgiu nas páginas dos quadrinhos, e que os personagens utilizados na série Salvatore Marone (David Zayas), Carmine Falcone (John Doman) e até mesmo a novata Fish Mooney (Jada Pinkett Smith) têm seu espaço, mas os medalhões do crime na cidade deveriam ganhar ter mais presença, e não serem mostrados apenas como “malucos de plantão” ou possibilidades a serem trabalhadas.

A guerra entre as quadrilhas é o que dá ligação entre os episódios, ou seja, os principais personagens dos quadrinhos apresentados na série não representam o foco principal da temporada, assim como em outras séries do momento. Por isso, não há uma história tão envolvente para os fãs, a não ser mesmo pela já citada construção dos protagonistas, tornando “Gotham” muito fechada em seu próprio mundo e com poucas chances desse mundo se encontrar com o de outros seriados da Warner/DC.

E apesar de dar ganchos para a segunda temporada, o último episódio termina de forma fraca e até certo ponto, rasa, como se os roteiristas tivessem que fechar as histórias o mais rapidamente possível. Apenas a sugestão de que o futuro de Wayne pode ter mais ligação com seu passado do que apenas em relação ao trauma que sofreu, desperta um interesse maior. Mas mesmo assim, não perde a impressão de que foi um simples recurso catártico para suplantar falhas.

“Gotham” é uma série arriscada e o segundo ano mostrará essa característica ainda mais ou então, determinará o fim da nova história de origem para o universo do Cavaleiro das Trevas na televisão. Resta esperar pelo que virá, e torcer para que venha acompanhado de enigmas sinistros, manobras de poder e quem sabe se tudo der certo, alguns sorrisos doentios.

BATMAN (1965-1966):

  Depois de literalmente décadas de disputa entre Warner e Fox, a série completa do Batman produzida nos anos 60 vai finalmente ganhar uma edição em DVD.
Batman: The Complete Series foi anunciada hoje em três versões: DVD, Blu-ray e download digital em HD. Todos os 120 episódios produzidos entre 1966 e 1968 foram remasterizados para essa esse box inédito na história do seriado. A box chega ao mercado em novembro desse ano, ainda sem preço divulgado.
Na época da produção da série a DC Comics cedeu os direitos do Batman para que a FOX produzisse o seriado, e depois como todo mundo sabe, a DC Comics passou a ser um dos braços da Time Warner. Sendo assim, Warner e FOX demoraram para entrar num acordo para a produção de uma edição remasterizada da série em DVD e Blu-ray. Literalmente décadas. Em 2013 as duas empresas entraram num acordo para comercializar produtos baseados na série e até uma revista chamada Batman ’66 foi publicada.
Na Comic-Con desse ano, que rola agora no fim de julho, as duas empresas vão fazer um painel com Adam West (Batman), Burt Ward (Robin) e Julie Newmar (Mulher-Gato).

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